Como ovelhas sem pastor


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Os fatos descritos nas leituras deste domingo parecem que foram colhidos no mundo atual: incompetência para governar, desvios, corrupção. Qual a luz que Deus nos dá? Vamos aos textos sagrados reservadas para hoje: Jeremias 23 (Primeira Leitura), Efésios 2 (Segunda Leitura), Marcos 6 (Evangelho)
 
Primeira Leitura — Jeremias 23: O profeta Jeremias vive num período político muito difícil. Durante batalha feroz, morre o piedoso rei Josias e o poder passa para as mãos do seu filho Joaquim que não segue o exemplo do pai: é corrupto, gosta de luxo e, ao invés de interessar-se pelos pobres, constrói para si palácios, não paga os operários, pratica violência e abuso e permite que nos tribunais sejam punidos inocentes e absolvidos os culpados.
Poucos anos depois morre Joaquim e lhe sucede seu filho, que só reina por três meses. A situação continua calamitosa. Sedecias vai ao trono mas não tem competência para governar. Dá ouvidos a conselheiros ineptos que lhe sugerem revoltar-se contra o rei da Babilônia e então, é o fim. É durante esse período que Jeremias é chamado para desenvolver sua missão. A leitura começa com palavras ameaçadoras de Deus contra dirigentes políticos.
Após essa sentença de condenação contra os reis, o profeta se dirige ao povo desalentado, disperso e desnorteado e infunde coragem. Transmite a garantia de que Deus não irá abandoná-lo. Promete que ele mesmo tomará conta e o reconduzirá para sua pátria, às pastagens das quais foram arrancadas com violência. O pastor prometido não restabeleceu um reino deste mundo, não restituiu a prosperidade somente a uma nação, não subjugou os homens com a força das armas, mas transformou os corações. O ‘pastor’, o filho de Davi prometido, nós o conhecemos: é Jesus de Nazaré.
 
Segunda Leitura — Efésios 2: O autor fala a cristãos de origem pagã que foram batizados há pouco. e os convida a meditar sobre a nova condição: antes estavam ‘longe’, mas agora estão presentes. De quem se aproximaram? Do povo que tinha recebido a promessa das bênçãos de Deus. A leitura ensina que Jesus derrubou todas as barreiras que separavam os homens e os reuniu num único povo.
Nós cristãos somos hoje as testemunhas dessa unidade e da paz entre os povos. Há, é verdade, mil razões que explicam as divisões: barreiras constituídas por diferenças de nacionalidades, raças, mentalidades e comportamentos. Contudo, devemos estar em condições de mostrar ao mundo que o amor de Cristo consegue derrubar todos os muros que nos separam.
 
Evangelho — Marcos 6: Os apóstolos se reúnem ao redor de Jesus, contam o que fizeram e ensinaram. Jesus os convida a passar algum tempo em sua companhia, longe da multidão. Os que se reúnem junto com o Mestre representam a comunidade que se mantém em permanente contato com seu Senhor. Que perigo Marcos quer que seja evitado na comunidade cristã? É o de que se façam planos, e se tomem decisões sem que se tenha permanente cotejo com a palavra do Mestre. O descanso é breve: dura o tempo da travessia do lago no barco. 
Na volta, Jesus e os apóstolos estão novamente no meio da multidão. Os ocupantes do barco representam a comunidade cristã que dedicou tempo para refletir sobre si mesma e conferir suas atitudes com as do Mestre antes de voltar ao meio dos homens. Esta comunidade, portadora de palavra de esperança e de salvação é aguardada com impaciência. Jesus sente compaixão porque as pessoas estão desgarradas como ovelhas sem pastor. Retomando a imagem do pastor, Marcos aponta Jesus como guia enviado por Deus em resposta à oração de Moisés. Seguindo-o, os homens não continuaram errantes.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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