Discípulos pobres


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A Palavra de Deus, neste domingo, ressalta o pensamento Dele a respeito da conduta dos que adquirem poderes humanos e sobre aqueles que envia como seus missionários. Os ensinamentos são extraordinários. Os textos sagrados reservados para hoje são Amós 7 (Primeira Leitura), Efésios 1 (Segunda Leitura) e Marcos 6 (Evangelho)
 
Primeira Leitura — Amós 7: A época de Amós talvez seja o período mais próspero que Israel jamais tenha conhecido. E a religião? Nunca foi tão respeitada, praticada e incentivada. Todos os santuários estão sempre repletos de fiéis que oferecem sacrifícios, cumprem suas promessas, participam de festas. Certo dia chega em Betel, onde está edificado o santuário mais importante do rei, um homem rude. Tem o rosto queimado pelo sol porque passa a vida conduzindo seu rebanho a pastagens e cultivando lavouras. É Amós, pastor de Técua, cidade da Judéia perto de Belém. 
Ao invés de se alegrar pelo bem-estar e paz que reinam no país, começa a pronunciar palavras de fogo contra o rei, contra a religião, contra classes dominantes, contra latifundiários e contra comerciantes. Por quê? Ergue a sua voz porque se deu conta que a grande prosperidade foi atingida ao preço da justiça inaceitáveis. Diante de suas denúncias, o chefe dos sacerdotes do templo de Betel, Amasias, fica apavorado e o denuncia ao rei e o enfrenta cara a cara.
Passados alguns anos, Samaria, a capital, cai sob os exércitos da Assíria. Terminava, conforme a profecia de Amós, ‘a orgia dos voluptuosos’. 
 
Segunda Leitura — Efésios 1: A leitura da carta aos efésios nos acompanhará pelos próximos sete domingos. Abre com longo hino de bênção a Deus pelas obras que realizou a favor dos homens. A ‘bênção’ é a forma mais característica da oração judaica. No trecho de hoje, uma ‘bênção’ que os cristãos das primeiras comunidades costumavam cantar. Começa com louvor ao Senhor e prossegue narrando benefícios. Nós também somos convidados a entoar esse hino. 
 
Evangelho — Marcos 6: O trecho começa narrando Jesus chamando os Doze e enviando-os a missão. Especifica-se que todos os apóstolos foram enviados. Quer dizer que pregar o evangelho não é tarefa reservada somente a alguns. Todos devem sentir a urgência de compartilhar o dom recebido. Diz-se ainda que os apóstolos são enviados dois a dois, não cada um por conta própria. Por fim, aos apóstolos é conferida uma autoridade. O único poder que recebem é o de ter o domínio sobre ‘espíritos imundos’.
Também no texto estão instruções sobre o ‘equipamento’ dos mensageiros: uma só túnica para vestir, um só par de sandálias e um cajado. Nada mais. Despojamento absoluto. O que significa? O cajado era a arma do pobre. 
Analisemos agora o que foi proibido: nem comida, nem alforje, nem dinheiro. Jesus não despreza bens deste mundo, não apresenta a miséria como ideal de vida, mas alerta para o perigo de nos deixarmos condicionar pela posse de bens materiais. O desapego a tudo não implica somente renúncia a carga pesada de bens materiais, mas também o abandono de preconceitos, tradições, idéias retrógadas, às quais nos amarramos de forma emocional e irracional. 
Por último, Jesus fala da acolhida reservada aos enviados: alguns serão hospedados com alegria e gratidão, outros serão rejeitados com indignação e desprezo. O versículo narra o resultado: com o poder que lhes foi comunicado pelo Mestre, realizam a obra de salvação para a qual foram enviados. Prova é a derrota do mal sob quaisquer formas que ele se apresente: o mal físico (doenças) e o mal moral (a expulsão dos demônios).
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 
 

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