47ª Francal


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Ficou claro na Objetiva, do jornal Comércio da Franca no último domingo, sob o título “Francal da Esperança”, o cenário atual da indústria calçadista e as perspectivas futuras, dependentes de boas negociações na 47ª Francal, aberta ontem nos Pavilhões do Anhembi, em São Paulo. Nos últimos anos, invariavelmente, face às dificuldades que se agravam a cada período, temos no mês de julho efetuado comentários a respeito da indústria calçadistas, por tratar da principal atividade econômica de nossa cidade. Apesar de sermos “sonhadores” e sempre, em tudo, tentarmos passar otimismo e esperança diante de situações difíceis, obviamente temos a consciência de que vários fatores estão colaborando para que as dificuldades impostas ao setor industrial quase inviabilizam sua manutenção.
 
Em primeiro lugar de nada adianta a cada feira o comparecimento à Francal de políticos das mais variadas hierarquias, com belos discursos, se os mesmos posteriormente sequer tentam auxiliar o setor dentro de suas competências e quando fazem, são através de medidas pífias temporárias e não definitivas. A alta carga tributária incidente sobre o setor industrial que não consegue absorver e repassar os custos para seus produtos é o chamado “Custo Brasil” que está acabando com o parque produtivo brasileiro, assim estamos tentando exportar impostos e não produtos. E, nos desculpem as lideranças do setor, a cada ano em eventos, quando há oportunidade de chamarem a atenção para as dificuldades que estamos vivenciando, em razão de uma política de “inchaço” e benesses na estrutura da máquina pública, fazem discursos que mais parecem “festas de confraternização”, quando deveriam cobrar medidas efetivas através de indicações claras e objetivas para o setor. Principalmente no que trata das relações internacionais, pois nossa indústria não consegue se manter competitiva e ao mesmo tempo o nosso mercado interno é “invadido” por produtos subsidiados por outros países. Hoje, a realidade é que se verificarmos os dados constantes das receitas estadual e federal vamos ver que grande parte das empresas encontram-se inadimplentes ou com parcelamentos de tributos, pois não conseguem arcar com seus compromissos.
 
Outro ponto que também deve ser observado é que a divulgação e distribuição dos calçados de Franca é fraca e inexpressiva. Bastando citar que quando recebemos visitantes em nossa cidade e os levamos para adquirirem sapatos, constatamos que os calçados nas lojas de fábrica custam mais caro do que em lojas de grandes cidades, em nossos shoppings os custos de locação são inviáveis.
 
Enfim, como já comentamos em outras oportunidades, para nós que tivemos o privilégio de acompanhar a evolução do parque calçadista francano, que sempre conseguiu superar suas crises, nossas lideranças necessitam de ousar e de criatividade para passar por mais esse momento difícil, porém há muita gente vivendo e lucrando em cima dos que realmente trabalham!
 
Política: Nos últimos tempos é comum ouvirmos: “não gosto de política”, “políticos são corruptos”,  etc. Apesar de muito debatida e amplamente criticada, é o meio que temos para a implantação de projetos e mudanças na vida em sociedade. Apesar dos comentários, todo cidadão faz política desde que nasce, ao chorar manifestando suas necessidades, ao se tornar representante de sala, o morador que se torna líder do bairro, o síndico de condomínio, a dona de casa que negocia descontos em nome da economia familiar etc. A política é da natureza humana. Agora quanto à corrupção, o problema não está somente na política que é uma conseqüência, mas sim no ser humano. Somos nós que temos que melhorar nossos valores, nossas atitudes, a forma de ver a vida, não querer levar vantagem em tudo. A honestidade e a ética são fundamentais para reverter em médio prazo a corrupção que se tornou prática comum em todos os níveis de vida. Enfim, quem rouba uma caneta se tiver oportunidade rouba o município, o Estado e o seu país. Coisas do Brasil!
 
 
Toninho Menezes
Advogado e professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
 

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