A fortaleza dos que são fracos


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Desde pequenos aprendemos que é valiosa a pessoa que vence sempre. Neste domingo, o Filho de Deus nos proporciona um ensinamento diferente. Estas são as leituras sagradas escolhidas para hoje: Ezequiel 2 (Primeira Leitura), IIª Carta aos Coríntios 12 (Segunda Leitura), Marcos 6 (Evangelho). Meditemos.
 
Primeira leitura — Ezequiel 2: Ouvimos sempre falar de profetas, profecias. Aprendemos que no Batismo recebemos o Espírito que nos eleva à dignidade de profetas, mas não sabemos o que significa. Ezequiel explica as características de um profeta. Antes de tudo, é pessoa chamada por Deus.
Não é anjo, personagem dotado de poderes misteriosos, força sobre-humana. É homem simples, fraco, com defeitos, fraquezas, pecados; porém, escolhido por Deus, tem missa a cumprir. Não é encarregado de fazer milagres, prever o futuro, realizar feitos extraordinários. 
Dele Deus espera apenas que transmita sua palavra. Aquele a quem ele confia essa missão, deve escutar com atenção e anunciar fielmente o que ouviu, sem mudar nada, sem nada acrescentar e nada omitir. A quem é enviado o profeta? Às pessoas que podem estar dispostas ou, ao contrário, podem ter coração rebelde. Ele não deve se preocupar com resultados. A Ezequiel Deus diz: ‘Quer te ouçam ou não... hão de ficar sabendo que há um profeta no meio deles’.
 
Segunda Leitura — IIª Carta aos Coríntios 12: Paulo teve que enfrentar perseguições, adversidades e aflições em sua vida. Menciona um problema que lhe provoca vexame e faz sofrer como a espinho cravado na carne. O que será? Refere-se a inimizade dos membros do povo de Israel, ‘irmãos e consanguíneos segundo a carne’. Lembra sua própria incapacidade de suportar a oposição deles e a tentação de desistir que experimenta diante de obstáculos interpostos por eles à sua pregação.
O que aconteceu a Paulo repete-se frequentemente também em nossos dias. Há pessoas que se envolvem na pregação do Evangelho, dedicam tempo, energias e até colaboração financeira à comunidade, mas, por causa de inveja, de ciúme, incompatibilidade de gênio ou de ideias, se tornam alvo de críticas injustas. Ele não elimina as diferenças, mas comunica a força para superá-las.
 
Evangelho — Marcos 6: Os habitantes de Nazaré foram educados na fé dos seus antepassados e estes lhes ensinaram que Deus é um rei forte e poderoso; que retribui com bênçãos, benevolências, boas colheitas e sorte na vida aos que lhe são fiéis, e envia tribulações aos que transgridem seus mandamentos. É guerreiro invencível, sempre disposto a mostrar força. Sendo essas as idéias em voga, o povo de Nazaré encontra-se em difícil encruzilhada: de um lado não pode aceitar que o ‘carpinteiro, filho de Maria’, seja o enviado de Deus; do outro, tampouco negar evidências: o jovem mestre realiza prodígios que somente os ‘grandes homens de Deus’ conseguiam realizar. Cura leprosos, ressuscita mortos, multiplica o pão como Elias, como Eliseu.
Os habitantes de Nazaré cometem o equívoco de pensar que para realizar seus projetos, Deus precise de instrumentos que os homens acham indispensáveis. Eis, ao invés, a surpresa: Deus realiza feitos extraordinários servindo-se do que os homens julgam sem valor. Conterrâneos de Jesus vacilam em suas convicções religiosas. Ao invés de acolher, aferram-se mais às próprias idéias rejeitando aquele que foi enviado para salvá-los. Por que Jesus continua fraco diante da recusa dos seus? Porque não impõe salvação, só propõe. O evangelho apresenta Jesus que volta espontaneamente à sua aldeia, mas não sozinho. Com eles estão seus novos irmãos, sua nova família formada pelos que aderiram à sua palavra, à nova lógica do Reino de Deus.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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