O poder de Deus


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Mais claro do que hoje é impossível encontrar respostas para tantas desconfianças que possuímos a respeito da nossa fé. Deus é direto e se mostra dentro de nós. Vamos às leituras sagradas e aos ensinamentos que contêm para nossas vidas: Jó 38 (Primeira Leitura), IIª Carta aos Corintios 5 (Segunda Leitura), Marcos 4 (Evangelho
 
Primeira Leitura — Jó 38: No Livro de Jó encontramos dois capítulos nos quais Deus descreve sua criação. Neles, conta como ele venceu o mar: colocou-o no seu lugar, fixou limites, fechou as portas para que não saísse e provocar desordem, privou-o de sua força negativa, o cobriu de nuvens como roupagem e lhe ordenou: ‘Chegarás até aqui e não irás mais longe. Aqui se deterá o orgulho das tuas ondas’. Transmite idéia perfeita do total e absoluto domínio de Deus sobre tudo que ameace a ordem da criação e a vida dos homens. 
Se analisarmos o que acontece no mundo temos, às vezes, a impressão de estarmos diante de grande desordem, caos assustador. Diante disso, nós também, como Jó, nos sentimos na necessidade de dirigir queixas a Deus e pedir-lhe explicações sobre como ele governa o mundo. Ao invés de explicar e justificar seu modo de agir, simplesmente pede confiança plena no seu amor.
 
Segunda Leitura — IIª Carta aos Coríntios 5: A idéia central é que Cristo foi capaz de morrer por todos. Seu gesto, ensina Paulo, deve impelir a todos a segui-lo pelo mesmo caminho da generosidade total em favor dos irmãos. Muito linda também é a última frase: ‘Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passou o que era velho, eis que tudo se fez novo’. É um apelo ao otimismo, a não olharmos para trás, para os nossos pecados, para os nossos fracassos. É preciso olhar para a frente e deixar-se conduzir pela esperança.
 
Evangelho — Marcos 4: Alguns dos milagres narrados nos evangelhos provocam alguma perplexidade em nós. A narrativa da tempestade aplacada que hoje nos é proposta pertence a esta categoria. Alguns pormenores são pouco plausíveis: durante a perigosa travessia Jesus dorme enquanto os discípulos tentam, desesperadamente, lutar contra as ondas do mar. É noite, e estão todos cansados. Por fim, os discípulos apelam para que Jesus os salve, portanto, mostram que acreditam nele.
Nós também temos, às vezes, a sensação de estarmos sendo tragados pelos acontecimentos. Sentimo-nos sós e incapazes. Aí, nos perguntamos: onde está Deus? Onde está Cristo? Por que não intervêm? Aparentemente, parece que dormem. O silêncio nos desconcerta e incute medo.
O evangelho nos ensina que não devemos nos surpreender, mas é um equívoco. Origina-se no fato que gostaríamos de ter à disposição um Deus que interviesse para alterar as relações de força deste mundo, que se alia com quem é vítima da injustiça para derrotar e humilhar quem a pratica. 
Por que Jesus censura os discípulos, como se não tivessem fé nele? A falha que cometem é a de ter-se lembrado dele só quando ocorre situação desesperadora. Quem acredita em Cristo tem que estar em permanente contato com ele, e não recorrer apenas quando a situação parece ou fica incontrolável.
Deixei para o fim o ensinamento mais importante. Ao encerrar a narrativa, Marcos observa que os discípulos ficaram penetrados de grande temor e se perguntavam um ao outro: ‘quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?’. Esse trecho é, portanto, acima de tudo, uma profissão de fé de Marcos na divindade de Cristo.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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