Creio ter sido da Atlântida, estrelado por Oscarito e Grande Otelo, o primeiro filme que assisti no cinema. Talvez tenha sido no Cine São Luiz, quem sabe no Cine Theatro Santa Maria, hoje transformado em salão de dança. Faz tempo isso. A história dos cinemas locais registra a existência, além daqueles, de outros que também foram importantes nas vidas dos francanos.
Havia o Santo Antônio, onde foi apresentado protótipo de filme de terceira dimensão. Século passado. Deram-nos óculos de papel com uma lente vermelha e a outra verde, que seriam equilibrados nos narizes e alguns, ainda, sobre óculos de grau dos espectadores. Uma dificuldade. No fervor da apresentação eles caíam e ao olhar a tela víamos duas imagens paralelas, que confundiam nossos cérebros.
Recentemente ao assistir Avatar, em cinema de última geração, som perfeito, poltronas melhores que as de casa, óculos especiais de material levíssimo e anatômico, senti-me dinossaura sobrevivente.
A paixão pelo cinema nasceu naquela época. E cresceu junto com a sede de leitura. Claro, há as preferências maiores, menores e as abominações: questão de escalonamento. No topo, as biografias: talvez seja uma forma de voyeurismo, quem sabe? Depois, as histórias reais, pessoais ou de sociedades. Ficção científica, que começou com a paixão pelo Flash Gordon e continua a instigar: prova disso, o recente Lucy, com Scarlett Johanssson. Acho que nunca gostei muito viver na minha época e tenho fascinação pelo futuro. Musicais antigos: a seleção vai de A Noviça Rebelde, passa por All That Jazz, empaca em Top Hat, para em Moulin Rouge, Chicago, O Rei Leão. Uma mixórdia. E os dramas? Adaptações de livros? Artistas? Merryl Streep tem mesa, cadeira e cama na minha prateleira de filmes especiais. Também, pudera: A escolha de Sofia, A mulher do tenente francês, Out of Africa, As pontes de Madison. Robert Downey Jr., idem: O solista, Chaplin, Sherlock Holmes, O juiz, Iron Man, o antiqüíssimo Morrendo e aprendendo, o moderníssimo Vingadores. E Colin Firth? Meu inglês predileto.
Frases extraídas dos filmes? Quem nunca colecionou? Closer: “Por que o amor não é o bastante?”. Na Natureza selvagem: “Se quer algo na vida, vá atrás e pegue.”. Senhor dos Anéis: “Não existe triunfo sem perda; não há vitória sem sofrimento; não há liberdade sem sacrifício.” Em A vida secreta das abelhas: “Às vezes não sentir é o único jeito de sobreviver.” Dom Juan de Marco: “Só há quatro perguntas de valor na vida: o que é sagrado? De que é feito o espírito? Pelo que vale a pena viver? Pelo que vale a pena nascer? A resposta para todas é a mesma: somente o amor.”.
Declarações marcantes? A do charmoso e invencível espião representado por Sean Connery e outros cinco, desde sua primeira aparição: “Meu nome é Bond. James Bond.”. Ou a dolorida declaração dos astronautas em Apollo 13: “Houston, temos um problema.”. Não esquecer O Exterminador do futuro se despedindo: “Hasta La vista, baby!”. Leonardo di Caprio em Titanic abrir os braços e gritar: “Eu sou o rei do mundo!”. Emocionantes: a Fera se revelar à Bela: “Sei como é se sentir diferente e o quanto isso é solitário.”. Lembra da Lady, em A dama e o vagabundo, quando sua dona anuncia estar esperando um bebê? Ela pergunta algo quase impossível de responder: “O que é um bebê?”... Cinderela: “Um sonho é um desejo que seu coração faz.” Branca de Neve: “Você nunca é muito velho para ser jovem.”
Antigamente havia a cortina que separava o mundo real do imaginário. Ela abria, o sonho começava, ao se fechar, volta-se à realidade. Cinema e catarse. Cinema é catarse. Só pode ser isso. Diga-me o que vês e te direi como és. Será que é isso?
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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