A pequena semente


| Tempo de leitura: 3 min
Todos nós enfrentamos dificuldades quando temos que lidar com a humildade e a simplicidade. Muitas mentiras nascem da nossa boca expressando orgulho e desejo de grandeza que existem no nosso coração. Deus nos responde através das leituras da missa deste domingo.
 
Primeira Leitura — Ezequiel 17: O último rei da família de Davi, Joaquim, foi derrotado, aprisionado e deportado para Babilônia. Terá Deus falhado na fidelidade que jurou a Davi? Ezequiel responde que a família de Davi é como um cedro pujante. Um dia, o rei da Babilônia invadiu o reino e o derrubou com brutalidade. Deus, que não se desdiz, não recua de suas promessas. Eis o que realizará: irá à Babilônia, tomará ramo da dinastia de Davi e o plantará no alto de montanha da terra de Israel. O pequeno rebento tornar-se-á cedro magnífico. No tempo estabelecido, as profecias se cumprem. Jesus é o rebento do majestoso cedro que Deus plantou na Terra. Aves representam os povos do mundo convidados a encontrar morada nas suas ramagens. As ramagens indicam braços acolhedores da comunidade cristã. É chamado para sempre acreditar em Deus, sobretudo quando as nossas expectativas são subvertidas.
 
Segunda Leitura — IIª Carta aos Coríntios 5: Paulo, alquebrado pelos anos, sentia-se cansado. Perseguições e sofrimentos tinham sido muitos. Na primeira parte da leitura, compara sua condição à de exilado. Neste mundo se sente como em terra estranha. Seu pensamento voa para a nova pátria que o espera. Na segunda parte, o Apóstolo se dá conta que este seu desejo de deixar este mundo poderia ser interpretado como fuga dos problemas, de suas responsabilidades em relação às comunidades cristãs. Conclui que enquanto o Senhor quiser deixá-lo aqui, se dedicando com todas as forças ao apostolado.
 
Evangelho — Marcos 4: Comecemos pela última frase: ‘por meio de numerosas parábolas ele lhe anunciava a palavra... e não lhes falava senão em parábolas’. Jesus usava a linguagem do povo, servia-se de comparações e analogias, contava histórias simples, ambientadas na vida dos pastores, pescadores, comerciantes, cobradores de impostos e lavradores entre os quais vivia. Todos o entendiam. Após essas premissas, vamos a duas parábolas através das quais Jesus apresenta a dinâmica do Reino de Deus. A primeira e a terceira falam do trabalho do agricultor e são muito breves. Afirma-se que ele ‘lança a semente na terra’ e depois que ‘põe a mão na foice’ e nada mais.
A segunda parte é ampla. Descreve a germinação da semente, seu crescimento e a hora em que a espiga apresenta grãos maduros. A semente é a Palavra. Tem, em si, energia vital irresistível. Anunciada, penetra nas mentes e corações. Quem já a escutou, não consegue permanecer o mesmo. Transformação interior é inevitável. Não depende da habilidade ou dos esforços de quem lançou a semente da palavra, mas da energia de vida que esta possui, e quando muito, de espécie mais ou menos fértil. O evangelho de hoje destaca outro momento importante da vida: aquele no qual é preciso saber ‘dormir’, isto é, saber esperar, acompanhar com admiração o desenvolvimento da semente que, ‘sozinha’, germina, cresce e produz frutos abundantes. 
Na segunda parábola, Jesus põe em destaque a simplicidade do início e a grandeza do resultado. O exemplo é o do grão de mostarda — naquele tempo, símbolo da exploração da energia da vida. A mensagem deve transmitir a nós alegria e otimismo. Diante de obstáculo ou fracasso jamais se pode perder a certeza de que o Reino de Deus está crescendo no coração dos homens.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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