A vida é feita de momentos


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Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para 
todo o propósito debaixo do céu’. 
(Eclesiastes 3.1)

A vida é feita de momentos. Há momentos nos quais colhemos os louros da vitória e saboreamos os manjares do banquete dos vitoriosos. Noutros momentos, contudo, colhemos o fruto amargo da derrota e derramamos as lágrimas amargas que nos jogam para baixo levando à insônia pela angústia de nossas perdas. 
 
Há ainda momentos que não se enquadram em ‘bons’ ou ‘ruins’. São os momentos de ausência de sentido. Ninguém é bastante forte a ponto de se gabar de não ter momentos ruins. Ninguém é tão fraco a ponto de dizer que nunca viveu momentos bons. Os fracos e os fortes passam por momentos bons e ruins, e todos enfrentam os momentos vazios. Desta forma, vive bem a vida quem consegue ter consciência de que, por isso mesmo, as circunstâncias que vivemos, quer sejam de alegria, de tristeza ou simplesmente de vazio de sentido, não são permanentes. Elas vêm e vão e isto apenas serve para nos conscientizar de que nossa vida é feita de momentos. 
 
Por interpretar a vida assim, é que destacamos o versículo acima, onde aprendemos que tudo tem um tempo determinado. O texto nos ensina que precisamos ser diligentes quando tudo estiver bem, visto que a alegria pela vitória em um determinado momento pode embriagar-nos, tornando-nos ufanistas e com sentimento de onipotência. A diligência não permite que tiremos os pés do solo da realidade. Torna-nos cônscios de que precisamos manter nossa dependência total e irrestrita do Pai. 
 
Poucas coisas têm sido tão perigosas para a fé cristã quanto este sentimento ufanista, que apregoa que ‘ser cristão de verdade é vencer sempre e tudo’. Esta pseudo-teologia ignora a realidade de que só Deus é Imutável e sem sombra de variação. Contudo, o autor de nossa vida prometeu estar conosco tanto nos ‘pastos verdejantes’, quanto ‘no vale da sombra da morte’. 
 
Por outro lado, precisamos não perder a esperança quando tudo estiver ruim. Se a alegria da vitória pode embriagar-nos com o ufanismo, a tristeza pela derrota pode embriagar-nos com o fel da depressão. Tão perigosa quanto à pseudo-teologia da prosperidade é a teologia ‘kármica’ do ‘Deus quis assim’, que leva muitos cristãos a aceitarem situações de miséria, injustiça e opressão, como se fossem fatalismos, fatos irremediavelmente ocasionados pelo destino’. 
 
Um terceiro aspecto a ser destacado é que devemos buscar mudanças quando o vazio tentar ocupar espaço em nossa vida. O sentimento de nulidade pode ser a mais trágica forma de morte. 
 
Albert Schweitzer escreveu: ‘a maior tragédia do homem é o que morre dentro dele quando ele ainda está vivo’. Estar morto ainda que respire é realmente uma tragédia. Quando o vazio da existência passa a ser uma realidade, a vida perde o sentido e nós nos transformamos em máquinas, em números, em coisas, e como tais, somos usados pelos outros ou usamos os outros. 
 
Se tudo isto é verdade, estejamos conscientes que, quando o momento for de vitória, atribuamos à honra e glória de Deus. Isso nos livrará do ufanismo e nos fará diligentes. Quando os momentos forem de angústia, saibamos que não estamos sozinhos. Quando o momento for de vazio e nulidade, então é o momento certo de nos rendermos aos pés de Jesus Cristo e experimentarmos o seu cuidado amoroso e sua paz inigualável. Lembremo-nos sempre: a vida é feita de momentos. Deus vos abençoe.
 
 
Isaac Ribeiro
Presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus/Franca – Ministério Missão

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