A videira e os ramos


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Neste domingo a graça de Deus se mostra viva em nossa Igreja e em todos nós: somos muito queridos por Deus. Ele nos sustenta. Vejamos o que o Senhor tem para nos falar através da sua Palavra — Atos dos Apóstolos 9 (Primeira Leitura), 1ª Carta de João 3 (Segunda Leitura), João 15 (Evangelho). 
 
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 9: Três anos depois da sua conversão, Paulo viaja a Jerusalém. Quer encontrar-se com Pedro e, conhecer a comunidade que havia perseguido cruelmente. Todos sabem que ele mudou completamente mas ainda existe desconfiança. 
O ensinamento principal dessa passagem é o seguinte: Paulo, o grande missionário que anunciou o evangelho pelo mundo inteiro, não trabalhou sozinho, não viveu à margem da comunidade, mas entrou em comunhão com os irmãos de fé e não desanimou diante de desconfiança ou suspeitas dos mesmos. Seu comportamento nos deve servir de exemplo e deixar claro que a Igreja é composta por homens que têm boas qualidades, mas também, defeitos. Não podemos, por motivo algum, renunciar à unidade.
Para seguir a Cristo todos somos chamados a abandonar certos hábitos. Nossa escolha nem sempre é julgada de maneira favorável.
 
Segunda Leitura — 1º Carta de João 3: Em alguns momentos da nossa vida, em nosso íntimo, pode surgir a dúvida: sinto-me unido a Cristo ou não? Sou um ramo cheio de seiva ou já estou seco e separado do tronco? Existe, em mim, a vida divina? Da leitura salta sinal inequívoco para verificar presença, ou não, do Espírito em nós: obras concretas em benefício do ser humano.
Ao analisarmos com sinceridade nossas ações, somos obrigados a admitir que cometemos erros. Nos damos conta que de determinados defeitos e de certos hábitos dificilmente conseguiremos nos livrar e por isso nos sentirmos impelidos ao desânimo, pensando que Deus nos rejeita, que nos condenará. João transmite consolo: se amarmos de fato os irmãos não devemos temer por nossas misérias, tampouco pelo julgamento severo de ‘nosso coração’.
 
Evangelho — João 15: O trecho fala da videira e dos ramos. Jesus é o tronco. Os discípulos, os ramos. Em nossos dias ele continua produzindo frutos que agradam ao Pai, porém, para que aconteça é necessário que os discípulos permaneçam unidos a Cristo. Ao contrário, tornam-se ramos secos, morrem e não produzem mais. A videira precisa de muitos cuidados. Todos os anos deve ser podada, os ramos devem ser diminuídos em tamanho para que a linfa se concentre e garanta força e vida. O tronco da videira é de excelente qualidade e tem rebentos que produzem uvas saborosas. Ramos secos representam misérias, infidelidades ao evangelho, fraquezas, pequenos e grandes pecados que se encontram em todos, mesmo nos mais devotos e coerentes. Quem observa ramos secos só nos outros deve, seriamente preocupar-se com sua própria situação interior. É hipócrita que vê palha no olho do irmão e não percebe a trave que tem no seu próprio. 
Deus se comporta como vinhateiro: poda continuamente sua Igreja. Suas tesouras são as suas palavras. Se olharmos com atenção veremos que as comunidades produzem muitas folhas: muita conversa, cerimônias grandiosas, estrutura organizada e eficiente. Mas não são esses os frutos que o Senhor espera de sua vinha. A videira não produz uvas para si mesma, mas para os outros. O cristão não produz obras de amor para ter ‘recompensa’: tem que ser como o Pai do céu que ama sem esperar nada em troca. A recompensa para o discípulo unido a Cristo é verificar que o amor de Deus se manifesta através dele. Quando atingirmos a plenitude desse dom, será o paraíso!
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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