A Ressurreição de Cristo abre as portas de uma vida nova para todos que os que acreditam na presença de Deus que vem curar todos os nossos males. Vamos aos ensinamentos contidos nas Escrituras Sagradas reservadas para hoje: Atos dos Apóstolos 3 (Primeira Leitura), 1ª Carta de João 2 (Segunda Leitura) e Lucas 24 (Evangelho).
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 3: Depois de ter curado um coxo que pedia esmola, Pedro pronuncia discurso do qual é extraída a leitura de hoje. O gesto extraordinário que ele cumpriu desperta admiração e curiosidade entre as pessoas.
Nos seus discursos Pedro repete continuamente, como se fosse um refrão: ‘Nós somos testemunhas!’. Ele e os outros apóstolos sentem-se testemunhas da ressurreição porque as obras que realizam provam, de forma inquestionável, que Cristo está vivo. O que fazia Jesus quando estava neste mundo? Pregava o evangelho e agia em favor dos homens. Ensinava o caminho da vida e curava os doentes, dava de comer a quem estava com fome, recuperava o que estava perdido... Ora, se todas essas coisas continuam acontecendo hoje, com a mesma força e com o mesmo poder, é sinal que Jesus está vivo, que continua agindo e que o seu Espírito está presente no mundo. Nós também podemos ser testemunhas que Cristo está vivo: é suficiente que lhe permitamos cumprir, por nosso intermédio, as suas obras de salvação.
Segunda Leitura — 1ª Carta de João 2: Nas comunidades às quais João escreve a sua carta há alguns que se julgam iluminados e sábios e afirmam que não precisam da redenção de Cristo, porque já não é mais possível cometer pecados. Estes, afirma o Apóstolo, são mentirosos, enganam a si mesmos e não têm dentro de si a verdade. O cristão deve reconhecer a própria fragilidade, deve saber que, mesmo depois de ter sido perdoado, continua fraco e sujeito ao pecado.
A boa notícia com a qual começa a leitura de hoje é que, embora sinceramente devamos nos reconhecer pecadores, sempre continuamos alimentando a nossa esperança com a certeza de que, ao nosso lado, sempre está presente Jesus Cristo, o Justo. A salvação, além disso, não é exclusiva do pequeno grupo dos cristãos, mas se destina aos homens do mundo inteiro.
Evangelho — Lucas 24: Qualquer trecho do evangelho é um presente de Deus: contém sua mensagem de alegria, de esperança, de paz, de salvação. O ressuscitado não é reconhecido com facilidade. Quem consegue vê-lo sempre tem dúvidas. Maria de Magdala o confunde com um jardineiro; os discípulos de Emaús pensam tratar-se de um viajante; os apóstolos o tomam por um fantasma; Pedro, no lago de Tiberíades, o confunde com um companheiro de pescaria, que quer lhe dar algumas sugestões. As dúvidas estão presentes em todas as aparições.
Através dessas ‘dúvidas’ os evangelistas querem fazer notar que os apóstolos não conseguiram, nem facilmente nem depressa, chegar a acreditar na ressurreição. Conquistam a fé depois de um longo e laborioso caminho. É verdade que Cristo lhes manifesta, através de muitos sinais, ter entrado na glória do Pai, mas muito tempo passa antes que eles entendam e aceitem esta revelação. A fé deles, da mesma forma que a nossa, não surge de provas materiais.
A ressurreição não pode ser demonstrada cientificamente porque não é realidade deste mundo. O caminho espiritual dos apóstolos é figura daquilo que cada um de nós deve seguir para chegar à fé. Da mesma forma que eles, nós também, em meio a tantas dúvidas, incertezas e medos, podemos ‘ver’ o Cristo ressuscitado. Acreditar na ressurreição do Senhor exige do homem uma mudança radical na sua maneira de pensar e viver.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comercioafranca.com.br
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