Acreditar sem provas


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Hoje celebramos o segundo domingo da Páscoa. Vamos aos textos sagrados reservados este dia — Atos dos Apóstolos 4 (Primeira Leitura), 1ª Carta de João 5 (Segunda Leitura), João 20 (Evangelho) — e aos ensinamentos que a Palavra de Deus contém para nossas vidas.
 
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 4: Comecemos a explicação da leitura a partir do v.33: ‘Com grande coragem os Apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus’. Em que consistia esta grande força? Não se tratava de milagres. A verdadeira prova que todos podiam constatar era a vida completamente nova da comunidade dos primeiros cristãos. 
Essa vida apresentava duas características extraordinárias, absolutamente inauditas: seus membros tinham ‘um só coração e uma só alma’ e ‘ninguém dizia que eram suas as coisas que possuíam, mas tudo entre eles era comum’. A primeira impressão é encantadora: ‘Não havia entre eles necessitado algum porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme sua necessidade. Só quando conseguirmos criar essa comunidade fraterna, impulsionada não pelo egoísmo, mas pela lei do amor, da generosidade, da doação de si, estaremos em condições de provar que o Espírito do Cristo ressuscitado foi comunicado também a nós. 
 
Segunda Leitura — 1ª Carta de João 5: A segunda leitura de todo o período pascal deste ano é extraída da I Carta de João. O tema central desse texto maravilhoso é o amor ao irmão e poderia ser resumido numa frase que encontraremos dentro de alguns domingos: ‘Irmãos, amemo-nos uns aos outros, porque quem ama é gerado por Deus’. Não pode haver um fundamento mais sólido para o amor a todo ser humano do que o fato que todos somos filhos de um único Pai. 
 
Evangelho — João 20: O trecho de hoje está dividido em duas partes que correspondem às aparições do Ressuscitado. Na primeira Jesus comunica aos discípulos o seu Espírito e com ele lhes dá o poder de vencer as forças do mal. Na segunda é relatado o famoso episódio de Tomé. Quando João escreve, Tomé já havia morrido há muito tempo: portanto, o episódio não é narrado para diminuir este apóstolo. Escolhe esse apóstolo como símbolo das dificuldades que todos os discípulos encontram para conseguir acreditar na ressurreição de Jesus. O que João quer dizer aos cristãos das suas comunidades é o seguinte: o Ressuscitado tem uma vida que não pode ser apalpada com as mãos e nem vista com os olhos. Só pode ser objeto da fé. Isto também vale para os apóstolos, embora tenham tido uma experiência única do Ressuscitado. 
Nós afirmamos ‘Bem-aventurados os que viram’. Para Jesus, ao invés, bem-aventurados são aqueles que não viram. Felizes são eles porque têm uma fé mais genuína, mais pura, aliás, esta é a única fé pura. Aquele que vê tem a certeza da evidência possui a prova irrefutável de um fato, não, porém, a fé.
Os discípulos se encontram reunidos em casa. O encontro ao qual João se refere é evidentemente aquele que acontece ‘no dia do Senhor’, aquele no qual, cada oito dias, a comunidade cristã é convocada para a celebração da Eucaristia. Quem, como Tomé, abandona os encontros da comunidade, não pode fazer a experiência do Ressuscitado, não pode ouvir a sua saudação e a sua Palavra, não pode receber a sua paz e o seu perdão, experimentar a sua alegria, receber o seu Espírito. Quem, no dia do Senhor, permanece em casa, mesmo que fosse para rezar sozinho, fazer a experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque este se faz presente onde a comunidade está reunida. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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