A vaidade do poder


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Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor Deus porque entrou no templo para queimar incenso no altar do incenso’ 
(II Crônicas 26.16)
 
 
A Bíblia narra à história do Rei Uzias como um dos reis mais populares da monarquia israelita, mas que tropeçou no mesmo pecado de Saul, o primeiro rei da referida monarquia. Tornou-se leproso por punição divina, devido à forma arrogante como lidou com a glória de Deus, pecando contra o Senhor ao tentar ofertar sua adoração ao seu modo, desprezando as exigências do Senhor, que dizia que somente o sacerdote poderia realizar ofertas no altar do Templo do Senhor. Ele conhecia as leis de Deus, mas como se sentia muito poderoso e intocável, preferiu fazer a sua maneira. 
 
Ao ler sua biografia, encontramos o registro que nos dias em que buscou o Senhor, Deus o fez prosperar. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o Senhor. 
 
Ao ser repreendido pelo sacerdote da época, por nome Azarias, dizendo que aquele ofício não era dele, indignou-se de tal maneira que partiu para cima dele tendo o incensário na sua mão para queimar incenso. O texto diz assim: ‘indignando-se ele, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na Casa do Senhor, junto ao altar do incenso. Assim ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da Casa do Senhor; e Jotão seu filho, tinha a seu cargo a casa do rei julgando o povo da terra’.
 
Esse episódio demonstra que a ilusão ou a vaidade do poder, oriundo da posição que o líder ocupa é fonte de comportamentos os mais estranhos e imprevisíveis. O diabo se aproveita das fraquezas da personalidade de certas pessoas, e incita-as a julgarem-se grandes demais, a ponto de extrapolar nas suas ações, agindo de modo ilegítimo, e contra a vontade de Deus. 
 
Olhando para os dias de hoje, percebemos que a semelhança de Uzias, muitos líderes tem comprometido seus lideranças por perderem a humildade, e embriagados pelo poder, passam a pensar e agir como se fossem de uma classe superior de seres humanos. O exemplo do Rei Uzias deve ser visto como advertência para todas as autoridades, sejam de caráter religioso, político, jurídico e privado. É muito importante que todos os que estão em eminência, tenham consciência de que o poder que lhe sustenta não é o poder pessoal, e sim o poder do cargo. Todos sabemos que cargo a pessoa pode perder com facilidade. Basta começar a agir em desacordo com as funções do mesmo. 
 
Um líder só pode ser bem sucedido em sua missão se reconhecer que o poder vem de Deus. Davi, um dos maiores líderes, disse ‘Uma coisa disse Deus, duas vezes a ouvi: que o poder pertence a Deus’ (Sl 62.11). Paulo por sua vez, nos ensinou que nenhuma autoridade é constituída se não for pela permissão de Deus (Rm.13.1). 
 
Dessa forma, é melhor não se deixar dominar pela vaidade do poder, pois, um dia, quando o detentor do cargo tiver que deixá-lo, seja lá qual for à razão, poderá sofrer muito, sentindo falta do poder de que foi detentor. 
 
Contudo, quando o homem trabalha bem esta área da vida e não se deixa seduzir pela vaidade do poder, e confia no poder de Deus, ele pode sair do cargo de cabeça erguida, sem sentir carência da posição. 
 
Portanto, sejamos líderes, mas não percamos a humildade e não esqueçamos que somos meros mortais. E que Deus nos ajude.
 
Pastor Isaac Ribeiro
presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus/Franca – Ministério Missão
 

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