No caminho da ressurreição


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Cristo ressuscitou! Aleluia! É o canto que a Igreja hoje entoa, louvando e bendizendo a vitória do próprio Cristo e nossa vitória. A Páscoa é a festa mais importante para os cristãos. Que nossa alegria seja fortalecida pela Palavra de Deus. Vamos aos textos sagrados reservados para este domingo: Atos 10 (Primeira Leitura), Colossences 3 (Segunda Leitura), João 20 (Evangelho).
 
Primeira leitura — Atos 10
Falando Pedro a um grupo de pagãos, resume, em poucas palavras a mensagem cristã. Essa leitura é, antes de tudo, convite para tomar consciência da verdade fundamental da nossa fé: a ressurreição de Cristo. Nos conduz a refletir sobre nossa missão de testemunhas da ressurreição.
O que é a testemunha? É aquele que assistiu a um acontecimento, que viu o que se realizou que ouviu as palavras pronunciadas. Os apóstolos são testemunhas de Jesus porque estiveram com ele. E nós, hoje, como podemos ser testemunhas se não vimos e não ouvimos nada? No batismo nós passamos da morte para a vida. Se pudermos afirmar que, a partir daquele momento a nossa vida mudou completamente e que nada restou em nós da vida antiga, podemos apresentar-nos como testemunhas da ressurreição.
 
Segunda Leitura — Colossenses 3 
Escrevendo aos cristãos de Colossos, Paulo quer despertar neles a lembrança de que, no dia do batismo nasceram para uma vida nova, vida que se realiza plenamente não neste mundo, mas no mundo de Deus. A fé, nesta vida, é a que faz a diferença entre os crentes e os ateus. Estes, de fato, têm a convicção de que o homem, contando exclusivamente com suas forças, consegue salvar-se e pensa que a salvação possa ser alcançada neste mundo.
Paulo não afirma que os cristãos não devam se interessar pelas coisas deste mundo. Todavia têm a convicção de que a plenitude de vida não pode ser alcançada aqui. As boas obras não podem faltar, ensina a leitura do dia de hoje. São manifestação da vida nova, são sinais da sua presença. São como frutos que podem brotar e crescer somente numa árvore viva e viçosa.
 
Evangelho — João 20
‘De manhã cedo, no primeiro dia depois do sábado, Maria Madalena se dirige ao sepulcro. Ainda estava escuro...’ Nessas primeiras palavras do Evangelho do dia da Páscoa, podem-se perceber, tocar, quase respirar os sinais da vitória da morte. Na terra tudo é silêncio. 
Também em nossos dias há no mundo situações e lugares nos quais a morte domina soberana e o silêncio celebra sua vitória. Desde o alvorecer do dia da Páscoa, Deus manifesta o primeiro sinal da revolução social que a ressurreição de Cristo pode provocar: escolhe justamente uma mulher para transmitir ao mundo a mensagem de que a morte foi vencida. 
Depois dessa explosão da vida, eis que entram em cena dois discípulos. Um deles é muito conhecido: Pedro; o outro não tem nome. Afirma-se, em geral, que se trata do evangelista João. A seguir, na passagem do evangelho de hoje, Pedro aparece novamente vencido, tanto na corrida material como na espiritual: o discípulo que Jesus amava ‘começa a acreditar’, ao passo que ele, mesmo vendo as mesmas coisas, limita-se a constatar, mas não chega à fé na ressurreição. É esse o momento culminante do caminho desse discípulo sem nome. Diante dos sinais da morte ele percebe a vitória da vida. 
A quem representa ele? Por que não tem nome? É simples: para que cada um de nós possa incluir seu nome e compreenda o que deve fazer para ser como Jesus o quer. A atitude dos  discípulos diante do sepulcro vazio se repete em nossos dias. Alguém pode pensar que a doação da própria vida seja só morte, renúncia, aniquilamento de si mesmo. Outros, ao contrário, entendem que uma vida doada aos irmãos, como Jesus fez, não se conclui com a morte, mas se abre para a plenitude de vida em Deus.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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