De Santa Catarina chegaram fotos de Pomerode, cidade vizinha a Balneário Camboriú. Impressionante local: não há cercas separando as casas, os habitantes interrompem qualquer atividade apenas para atender à pergunta feita pelo visitante perdido, todos andam de bicicleta e é a terra das porcelanas Schmidt que, aliás, existe desde 1945. Povo festeiro, o que mora abaixo do Trópico de Capricórnio. Em dezembro, o Rio Grande do Sul atrai milhares de turistas para visitar absurdo Natal em Gramado cheio de neve artificial, trenós, duendes e até Papai Noel, sob o sol de verão. Em outubro, a Ocktoberfest em Blumenau: quem nunca foi, precisa ir. É indescritível. Agora Pomerode começa a aparecer no calendário turístico nacional, com seus ovos de Páscoa, doces enfeitados, bolachas decoradas e muito, muito chocolate.
Os habitantes catarinas — e não catarinos, como se poderia pensar — se voltam de corpo e alma ao preparo da Páscoa. Tradição mantida desde que os primeiros colonizadores europeus puseram o pé por ali, as pessoas guardam cascas dos ovos utilizados nas cozinhas — domésticas e industriais. Após higienização e decoração, serão utilizadas no preparo de cestinhas para presentear crianças e adultos. De Pomerode chega a notícia da Osterbaum, imensa árvore enfeitada com 80 mil casquinhas de ovinhos enfeitados, recheados de amendoim com chocolate e outras guloseimas e presos nos galhos. Afirmam, é tão grande quanto a alemã, que serviu de inspiração para a brasileira. Irá logo para o Guiness, o orgulho catarinense faz questão de afirmar.
À pergunta do motivo pelo qual a Páscoa é tão importante no calendário cristão, em especial no deles, os catarinas afirmam que é o acontecimento que embasa e justifica o Cristianismo. Estão na crença da ressurreição de Cristo, não no seu nascimento e nem na sua morte, os pilares que sustentam as vertentes religiosas como catolicismo, protestantismo e religiões ortodoxas orientais, crenças baseadas nos ensinamentos, na pessoa e na vida daquele Jesus que, depois de judiado e crucificado, foi dado como morto, enterrado, mas despertou para a vida e continua vivo entre os homens.
Terminado o carnaval, as lojas de decoração de festas colocam à disposição do público os ovinhos vazios, que podem ser encontrados na versão real — quando a galinha é o fornecedor direto e na versão fictícia, de plástico, que imita à perfeição o fantástico design original. Manuseados cuidadosamente, passam pelas mãos de mães, avós, tias, madrinhas e profissionais, empenhados em produzir desenhos elaborados nas pequenas peças. Depois de recheados, são postos em cestinhas que o Coelhinho da Páscoa tratará de distribuir em esconderijos nos jardins e nas casas, desafiando as crianças a encontrá-las nas manhãs do Domingo de Páscoa, quase sempre depois dos cultos nas igrejas. É uma festa.
Dizem, a liturgia da Páscoa cristã deriva de elementos de tradição judaica. Certo, a partir desse dia que todas as outras datas importantes do cristianismo são calculadas: Semana Santa, Quaresma, Carnaval e Quarta-feira de Cinzas, por exemplo. Verdade, na celebração da Páscoa cristã encontram-se também elementos que faziam parte de antigos rituais germânicos e representavam divindades ligadas à idéia de fertilidade. Mais pagão, impossível. Sabe-se, o Concílio de Nicéia, realizado no século IV d.C., fixou a data da celebração da Páscoa durante o equinócio da Primavera e determinou que poderia ser comemorada entre os dias 22 de março e 25 de abril. Tal processo de instituição, tão arbitrário, poderia comprometer o sentido da comemoração, mas a magia e sentido são maiores que essa laicidade.
Considerações religiosas ou acadêmicas à parte, a data é motivo para famílias e amigos se aproximarem e, reunidos em torno da mesa, pensarem no sentido de Ressurreição, de Renascimento, de força para superar obstáculos e Renovar. Feliz Páscoa para você!
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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