Primeira Leitura: Jeremias 31. - Nessa leitura é apresentado um dos trechos mais famosos de todo o Antigo Testamento: o anúncio de que Deus um dia estabelecerá uma nova aliança com o seu povo. Na primeira parte da leitura o Senhor responde a essa pergunta e diz: o reino do Norte foi destruído por causa da sua infidelidade à aliança. O povo havia jurado fidelidade ao seu Deus mas em verdade toda a sua história tinha sido uma seguência de traições e a conseqüência foi a sua própria ruína nas mãos dos inimigos. E agora, o que Deus decidirá fazer? A segunda parte do trecho no-lo diz: estabelecerá uma nova aliança, diferente das anteriores, pois todas fracassaram. A nova aliança é diferente, porque os mandamentos não mais estão gravados na pedra, mas na parte mais íntima do homem, no coração.
Quando se realizará essa profecia? Se a lei de Deus estivesse gravada no coração de todos os homens, o mundo se transformaria num paraíso: todos seriam bons e como diz a leitura o Senhor seria o seu Deus, isto é, desfrutariam de prosperidade e de paz. A profecia começou a realizar-se na Páscoa de Cristo. A partir daquele dia, a lei de Deus foi gravada em nosso coração. O Espírito de Deus foi plantado como uma pequena semente que deve crescer e desenvolver-se. Somente quando essa semente tiver atingido a maturação, então terá chegado o Reino de Deus.
Segunda Leitura: Hebreus 5. - A carta aos Hebreus afirma categoricamente que Jesus não fingiu ser homem, é um homem de verdade e passou através de todas as dificuldades e tentações que cada um de nós deve enfrentar. A única diferença é que ele nunca se deixou vencer pelo mal e se manteve sempre fiel ao Pai, ao passo que nós, muitas vezes, fraquejamos. O trecho de hoje se detém, sobretudo, na reação experimentada por Cristo diante do sofrimento e da morte; ele sentiu o que todo ser humano experimenta nestas situações.
Jesus não é como aqueles senhores que vivem nos seus palácios e de lá emanam ordens sem saber quantas lágrimas derramam e quantos sofrimentos devem suportar os seus súditos. Jesus não permaneceu no céu, contemplando as angústias dos homens; tornou-se seu companheiro de viagem, percorreu por primeiro o caminho difícil da humilhação e da morte.
Evangelho: João 12. - O episódio narrado no evangelho de hoje aconteceu poucos dias antes dos acontecimentos da última Páscoa de Jesus. Um grupo de gregos, isto é, um grupo de estrangeiros que se tinham convertido à religião judaica tinha ouvido falar de Jesus e queria encontrá-lo. Recorreu então a Filipe, este falou com André e os dois levaram a solicitação a Jesus. O grupo dos gregos que quer “ver” Jesus representa todos os pagãos que querem conhecer Cristo. Também os catecúmenos das nossas comunidades, antes de receber o anúncio do evangelho, seguiam outros deuses. Certo dia, porém, sentiram a necessidade de descobrir a face de Jesus e alguém os conduziu até ele. Ninguém se torna cristão sem passar através de algum discípulos que lhe fale de Cristo.
O evangelho não nos conta se esses gregos foram depois ter com Jesus ou se voltaram para casa sem tê-lo visto. Apresenta-nos, ao invés, um discurso muito importante do Mestre. Nele “se faz ver”, “manifesta sua verdadeira face” a quem queira conhecê-lo de fato. Para Cristo, o homem atinge o ponto mais alto da realização da sua vida quando se entrega à morte por amor de seu irmãos. A comparação com o grão de trigo continua ainda nos servindo para entender. Quando é colocada debaixo da terra, a semente parece perder-se e morrer, mas, em seguida, aquecida pelos raios do sol, reaparece multiplicada por 100 numa espiga que anuncia a vitoria da vida.
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral, vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br
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