O gesto de cidadania demonstrado pelos cidadãos brasileiros que foram às ruas de várias cidades para demonstrarem sua insatisfação com os desmandos políticos merecem, no mínimo, ser respeitado pelos nossos políticos. Porém, mais uma vez, após as manifestações, o governo da presidente Dilma, representado por dois ministros, em entrevista, usou da costumeira demagogia para tratar superficialmente o assunto. Tentam “jogar” os que votaram na presidente Dilma contra os que não votaram na reeleição da presidente. Caros ministros e toda a cúpula governante, o que vocês não querem ver e não aceitam é que a maioria dos cidadãos está revoltada com os atos administrativos praticados pelo governo e frisamos que a insatisfação é de todos os eleitores , independentemente do voto que depositaram nas urnas.
Na entrevista é difícil determinar o que foi pior: se a falta de argumentos dos ministros ou a falta de preparo dos jornalistas presentes, pois fizeram perguntas confusas, mal elaboradas, repetidas, o que facilitou sobremaneira aos políticos. Na verdade, com todo respeito, a imprensa perdeu uma grande oportunidade para questionar o governo com dados concretos que os colocassem “contra a parede”. A mídia deveria ter colocado seu “primeiro time” na coletiva, visto que são raras as oportunidades em que esse governo se predispõe a dar entrevistas e ser questionado. Perdeu-se a oportunidade, por exemplo, de questionar sobre: a) as mentiras proferidas em campanha, um verdadeiro estelionato eleitoral; b) a demora para a retirada de toda a diretoria da Petrobras, imediatamente após a divulgação dos desvios iniciais, o que caracteriza sim improbidade administrativa e conivência, pois está provado nas investigações que após as primeiras divulgações o governo não tomou nenhuma providência, fazendo com que os desmandos e desvios continuassem; c) por que o governo “estourou” com as contas públicas, apenas com o intuito eleitoral?; d) por que as medidas contra a corrupção, prometidas após as manifestações de 2013 ainda não foram votadas?; e) por que o governo não tem a coragem de dar publicidade aos empréstimos feitos para patrocinar obras de empreiteiras arroladas na operação lava-jato, em países onde prevalecem governos ditatoriais?; f) por que o governo insiste em dizer que “está tudo bem”, quando sequer consegue efetuar seus pagamentos?; g) com que dados afirma que a inflação está sob controle, quando a maioria dos indicadores dizem o contrário?; etc.
Simultaneamente a falta de questionamentos objetivos na entrevista, assistimos também a comentários efetuados por jornalistas, durante as manifestações que nos deixaram perplexos, pois afirmavam categoricamente que isso ou aquilo era inconstitucional, porém não comentavam quantos dispositivos constitucionais são descumpridos diariamente pela classe política brasileira, tampouco diziam ser inconstitucional desviar bilhões dos cofres públicos, através de um sistema institucionalizado de corrupção. O discurso dos ministros, afirmando que o governo agora vai dar ênfase às medidas de combate à corrupção e às discussões sobre a reforma política, não “cola” mais, pois é o mesmo proferido em 2013 e o governo está bem atrasado em suas promessas.
Enfim o que queremos, senhora presidente, é saber como combater a crise econômica, gerar empregos, como será e quem fará a tal reforma política e aquilo que será modificado, como nos devolver a segurança de andarmos pelas ruas de nossas cidades, como será o combate a inflação?, A senhora reduzirá o tamanho da máquina administrativa? Cortará gastos supérfluos que nada tem a ver com os serviços essenciais?
FIES: O sistema para recadastramento de alunos do FIES – Fundo de Financiamento Estudantil sai do ar, fica lento, não funciona etc., fazendo com que vários alunos passem a se desesperar, por vislumbrarem a impossibilidade de darem continuidade aos estudos. Sinceramente não entendemos, pois os sistemas arrecadatórios do governo jamais saem do ar e dão conta de toda a demanda, como a Receita Federal e o INSS. Será que as tecnologias são diferentes?
Toninho Menezes
Advogado e professor universitário - e-mail: toninhomenezes@netsite.com.br
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