Deus julgando


| Tempo de leitura: 3 min
Não devemos temer o julgamento de Deus: o seu coração é misericordioso. É isto que a Palavra de Deus nos faz meditar neste domingo.
 
Primeira Leitura: II Livro das Crônicas 36. Os homens dos tempos passados pensavam que Deus concederia as suas bênçãos àqueles que observassem os mandamentos, e que enviaria infortúnios a quem não obedecesse. Ao lermos os livros das Crônicas nos damos conta que o autor pensa exatamente dessa maneira. No trecho que hoje nos é proposto encontrarmos um exemplo claro. Os israelitas que voltaram à terra dos seus antepassados continuaram perguntando-se, pasmados e desconcertados: por que o nosso povo foi golpeado com uma desventura tão terrível? Por que Deus permitiu que o templo e a cidade de Jerusalém fossem destruídos pelos inimigos?
A primeira parte da leitura responde a essas perguntas. Tudo aconteceu por causa da infidelidade de Israel, dos chefes e dos sacerdotes. O Senhor amava o seu povo, dispensava-lhe todos os cuidados, enviava os seus profetas para indicar-lhes o caminho da vida, mas ele desprezou as advertências dos seus mensageiros. A segunda parte da leitura nos apresenta outro exemplo de retribuição rigorosa pelos pecados cometidos. O que o autor nos apresenta como um castigo de Deus não é outra coisa senão aquilo que acontece ao homem sempre que envereda pelo caminho do pecado: provoca a ruína de si mesmo e dos outros. 
A história de amor entre Deus e o homem nunca termina com uma condenação. Da mesma forma que os israelitas infiéis, o homem que se afasta de Deus se mete em complicações, torna-se escravo dos próprios ídolos, mas Deus nunca o abandona. 
 
Segunda Leitura: Efésios 2. O segundo capitulo da carta aos cristão de Éfeso começa apresentando, com expressões muito dramáticas, a situação do homem pecador. Afirma que é um rebelde que segue seus instintos e suas paixões, provocando a própria ruína e a própria infelicidade. O homem não consegue sair dessa situação desesperadora, Deus, porém, rico de amor e misericórdia, intervém para libertá-lo: ressuscita-o com Cristo para uma vida nova.  Essa salvação não e concedida ao homem por causa dos seus méritos; trata-se de um dom completamente gratuito do Pai. 
 
Evangelho: João 3. A primeira parte do Evangelho deste dia evoca um fato dramático, ocorrido ao povo de Israel durante a travessia do deserto. A viagem era muito árdua, faltavam alimentos e água, fazia um calor insuportável e mais, a um certo ponto, eis que surge uma nova dificuldade: as serpentes venenosas que mordiam e matavam muitas pessoas. Não sabendo mais o que fazer, Moisés dirigiu-se ao Senhor que lhe ordenou construir uma serpente de bronze e ergue-la num poste.
Jesus se refere a esse episódio e o interpreta como um símbolo daquilo que está para lhe acontecer. Ele também será levantando na cruz, e todos aqueles que o contemplam encontrarão a salvação para sua vida.  Olhar para Jesus “levantado” quer dizer ensina-o o evangelho de hoje “acreditar nele”, isto é, aceitar com fé a mensagem que ele, do alto da cruz, dirige para todos os homens. Deus tanto amou o mundo que lhe deu seu próprio Filho e este não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo; quem, porém, não crê, já esta condenado.
No trecho que acabamos de ler, Jesus simplesmente exclui que Deus julgue o homem. Ele quer que o homem, que todos os homens se salvam. O julgamento não é pronunciado por Deus, mas pela escolha que cada um faz diante da luz de Cristo. Concretamente, o que acontece é o seguinte: o homem se encontra diante da proposta feita do alto da cruz por Jesus. Salva-se aquele que tem a coragem de doar a própria vida como Jesus fez. Aquele que, ao invés, não aceita renunciar à própria vida e escolhe o caminho do egoísmo, que só pensa em si mesmo, ou próprios prazeres, nas próprias satisfações, condena-se à morte, ou seja, destrói sua própria vida.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral, vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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