Crer em Deus


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Com a graça de Deus estamos vivos e sentido o seu olhar bondoso na vida de cada dia. Vamos meditar sobre a palavra de Deus, neste segundo domingo da Quaresma. As leituras sagradas reservadas para hoje são Gênesis 22 (Primeira Leitura), Romanos 8 (Segunda Leitura), Marcos 9 (Evangelho).
 
Primeira leitura — Gênesis 22: Os primeiros versículos levantam um problema: como é possível que Deus peça a um homem que sacrifique seu próprio filho? Naquele tempo o costume de oferecer a Deus os próprios filhos, queimando-os em fogueiras, estava difundido. O ensinamento da passagem, porém, se refere à fidelidade de Abraão. Acreditou cegamente em Deus: abandonou sua terra, renunciou à segurança de sua própria casa, de sua família e da tribo à qual pertencia.
Quando somos chamados para seguir Cristo, temos que abandonar atitudes imorais, incompatíveis com o evangelho. A nós como para Abraão, Deus faz grandes promessas: alegrias, serenidade, paz interior... A seguir chegam horas difíceis e amargas. 
 
Segunda leitura — Romanos 8: Paulo, depois de analisar o projeto que Deus quer realizar, a salvação de todos os homens, grita sua alegria: ‘Se Deus está conosco, quem será contra nós?’. Prossegue, depois, imaginando que pecadores estejam sendo conduzido ao tribunal para o processo. Tremem porque se reconhecem culpados. Chegando, a surpresa: ninguém os acusa e nenhum juiz os condena. Deus, o único que poderia servir de testemunha e que sabe como aconteceram as coisas, não pode acusá-los porque os amou tanto a ponto de entregar-lhes seu próprio e único filho. A leitura é linda. Revela como o amor do Pai é definitivo e gratuito, não pode ser destruído por nenhum pecado ou qualquer infidelidade humana. 
 
Evangelho — Marcos 9: Começa dizendo que Jesus se retirou para monte muito alto, lugar solitário, com três discípulos, os mesmos que testemunharam sua agonia no Getsêmani. A tradição cristã localizou a transfiguração de Jesus no Tabor. Na montanha a Bíblia situa os grandes encontros com Deus. Mais do que lugar físico, indica momento de intimidade com Deus. Também Jesus abandona a planície onde vivem os homens, onde se age segundo princípios que não são os de Deus e conduz alguns para o mundo do Pai. Quer que penetrem nos insondáveis desígnios de Deus sobre o Messias.
As vestes brancas manifestam externamente quem é Jesus. Elias e Moisés são dois famosos personagens do Antigo Testamento. O primeiro é o grande profeta que todos julgavam não ter morrido por ter sido arrebatado ao céu. Nesta narrativa ele entra para apontar Jesus como o Messias esperado. Moisés é lembrado na transfiguração porque, antes de morrer disse aos israelitas: ‘O Senhor teu Deus te suscitará dentre os teus irmãos um profeta como eu: é ele que devereis ouvir’.
Sua presença testemunha que Jesus é o profeta por ele anunciado. As tendas que Pedro quer construir simbolizam que chegou o Reino de Deus, a festa perene prometida. O medo refere-se a experiência de surpresa e arrebatamento vivida por qualquer um que entre em contato com o mundo sobrenatural. A nuvem e a sombra são imagens comuns no Antigo Testamento para sinalizar a presença de Deus. 
Neste cenário, a mensagem central da narrativa. Para instaurar o Reino que Jesus, na transfiguração, deixa entrever aos discípulos, é necessário passar pelo sacrifício da própria vida. Não é possível entrar no Reino de Deus por atalhos, como Pedro tenta fazer, e sim, com coragem, o percurso trilhado pelo Mestre. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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