Sim!


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Bela e Santa Catarina! Pisar esse solo há três décadas e conhecer algumas cidades nem tão famosas assim, fez despertar a paixão pelo estado bonito, culturalmente rico, de povo miscigenado e temperado pelos sangues alemão, italiano, austríaco, índio, açoriano em diferentes dosagens, o que produziu gente bonita e diversidade de temperamentos, disposições, intenções e propósitos.
 
Aconteceu em Santa Catarina algo semelhante ao ocorrido na colonização dos Estados Unidos. O colono estrangeiro veio em busca de trabalho, comida, condições de vida e sobrevivência. Veio para formar novo lar à semelhança daquele deixado na terra natal. Deixou o mundo europeu devastado por guerras e o trocou pela esperança de menor rigor da natureza, comida e água em abundância. As pessoas mais velhas, principalmente as do interior, contam de avós, tios e pais e de suas lutas para sobreviver em território selvagem, sem qualquer traço de conforto. Abriram espaço nas florestas, derrubaram árvores para construir casas, quebraram pedras com o mesmo propósito. Não poluíram rios, não devastaram. Culturalmente mais polidos que os portugueses, os primeiros habitantes respeitaram a cultura local e preservaram as suas de origem. Assim, ainda hoje, há grandes manifestações — como a Ocktoberfest — que conservam costumes dos países de origem. 
 
As mulheres catarinenses (quase sempre) são prendadas: bordam, cozinham, fazem doces, tortas apetitosas, visualmente esplendorosas, além das bolachas enfeitadas, na época do Natal e Páscoa. As flores, profusas e multicoloridas, são organizadas em lindos arranjos, que enfeitam casas, mesas, lojas, cabeças, jardins, parapeitos das janelas. Homens recebem, sim, flores de mulheres à guisa de manifestação amorosa, como os pilotos, atletas estrangeiros, quando premiados com medalhas e troféus. Recebê-las não interfere na produção de testosterona: a história registra a fundação da República Juliana, levantes e lutas empenhadas pelos machos locais. A alma é de paz, mas o filho catarina não foge à luta. A maioria rejeita, com todas suas forças, tanto o governo quanto a presidente petista. Ideli Salvatti, ministra da Secretaria de Direitos Humanos pertencente à fauna política local, acha que houve “uma certa ingratidão do eleitor catarinense” na demonstração de tal rejeição nas últimas eleições, mas o povo não acha. 
 
Desacostumada de invasões, hoje sofre com o assédio de turistas brasileiros e sulamericanos em suas praias que, não acostumados com beleza, volta e meia surrupiam mudinhas de flores e plantas nos jardins públicos, esparramam lixo nas praias e ruas de maior aglomeração. Como compensação, no ano passado, as águas da orla do Balneário Camboriú e adjacências teve, durante meses, a honra de banhar Sharon Stone de frente, costas e tudo o mais que ela mostrou em Instinto Selvagem, o Cinquenta Tons de Cinza dos anos 90. 
 
Santa Catarina tem cidades como Taió, Aterrado Torto, Braço do Trombudo. Tem Blumenau, Joinville, Pomerode (0 % de analfabetismo), e Treze Tílias (Tirol brasileiro), Itajaí, Laguna e Florianópolis, capital que fica numa ilha. Tem rios de nomes engraçados como o Itapocu e o Itapocuzinho e o belíssimo Itajaí-Açu que, quando enche, inunda, devasta e destrói. Possui a mais alta expectativa de vida do país, a menor taxa de mortalidade infantil, baixa criminalidade e menores taxas de desigualdade econômica e analfabetismo. A mais espetacular obra de engenharia da malha rodoviária catarinense é a Estrada do Rio do Rastro, que liga Tubarão a Urubici, do Sul ao Planalto. Belíssima!
 
Começo a entender expressões do dialeto local, como o “se queres, queres; se não queres, diz”, equivalente ao nosso “ou dá ou desce”, mas falado em alta rotação. “Tás tola?”, quando hesito em fazer algo prazeroso. Já entendo, quando estou no caixa, diante da balconista e ela pergunta: “Oqueeraamais?”, tradução: “Quer algo mais?”. Bela e Santa Catarina, terra de Anita Garibaldi, a Heroína de Dois Mundos. Minha irmã perguntou: “você teria coragem de vir morar aqui?” Adivinhe a resposta!
 
 
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, jprofessora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
 
 

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