Iniciamos a Quaresma de 2015 e a bondade de Deus vem a nosso encontro para renovar a chance de vida nova. É o tempo da graça de Deus. Vejamos os ensinamentos da palavra de Deus contidos nos textos reservados para este domingo: Genesis 9 (Primeira Leitura), 1ª Carta de Pedro 3 (Segunda Leitura) e Marcos 1 (Evangelho).
Primeira Leitura — Genesis 9: Muitos povos passam, de geração em geração, narrativas de catástrofe que teria acontecido nos primórdios do mundo e destruído homens, casas, animais e plantações. Também a Bíblia contém uma dessas histórias: a narrativa do dilúvio. Falemos logo e claramente: o dilúvio não é desastre provocado por Deus. É o símbolo da ruína que os pecados do homem provocam.
A leitura relata a última e essencial parte da história do dilúvio: Deus nunca se conforma diante do mal e sempre intervém para corrigir, reconstruir, renovar. Do mal provocado pelo pecado sabe fazer surgir nova humanidade à qual promete somente coisas boas e garante todas as suas bênçãos. Por que Deus decide fazer essa aliança com os homens? A razão está na certeza de que o amor é completamente gratuito. Esta é a mensagem consoladora que a Bíblia transmite desde os primeiros capítulos: Deus não espera que o homem seja bom para ser generoso com ele. O encontra infalivelmente pecador, mas assim mesmo o ama, e com o seu amor o transforma em nova criatura.
Segunda leitura — 1ª Carta de Pedro 3: Pedro retoma a história do dilúvio e dela se serve para explicar aos cristãos de seu tempo os efeitos do Batismo. Noé se salvou das águas do dilúvio por meio da arca que Deus lhe ordenou que construísse. Com ele se salvaram também sua família e animais para que a criação, libertada do pecado, pudesse recomeçar. A água do batismo produz o mesmo efeito da água do dilúvio: destrói o homem antigo e faz nascer o homem novo. Marca o fim do pecado, dos ódios, dos roubos, da embriaguez, dos adultérios, da vida corrupta e faz nascer vida nova, segundo o Espírito.
Evangelho — Marcos 1: Todos os anos, no primeiro domingo da Quaresma, o evangelho fala das tentações de Cristo no deserto. A narrativa de Marcos é a mais curta: ‘O Espírito conduziu Jesus no deserto e ele ali permaneceu por 40 dias tentado por Satanás; estava na companhia de animais selvagens e os anjos o serviam’. Há na vida tentações que não são instigações para o mal: são situações que se deve enfrentar. São horas nas quais nos obrigamos a escolher, e que se transformam em ocasiões favoráveis para fortalecer a fé. A primeira frase do evangelho: — ‘O Espírito impeliu Jesus no deserto — não é informação, mas mensagem teológica. Significa que depois do batismo, Jesus recebeu a força de Deus (o Espírito) e começou sua luta contra Satanás.
Marcos ensina que, desde que saiu das águas do rio Jordão, Jesus teve que contrapor-se durante sua vida com propostas que queriam desviá-lo do caminho traçado para ele pelo Pai, propostas pelos inimigos, pelo povo e até por seus discípulos. Se essa foi a experiência do Mestre, o cristão nunca deve sentir-se sozinho. Marcos não está narrando fatos. Usa linguagem simbólica.
A segunda parte do evangelho relata, em síntese, a pregação de Jesus: ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no evangelho’. É convite dirigido a todos os homens no começo da Quaresma: o mundo antigo (aquele no qual as pessoas se comportam como animais ferozes) chegou no fim. Chegou o momento de mudar o coração e acolher com alegria o mundo novo, no qual Jesus já entrou com sua vitória sobre o mal e no qual todos nós devemos nos deixar introduzir, aceitando o seu evangelho.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.