Aliados governistas têm argumentado que a taxa de desemprego e a renda da população estão caindo, e que o desemprego, em janeiro, foi de 4,3%. Como já dissemos aqui, a vivencia nos ensinou que números, índices e outros percentuais divulgados por políticos só acreditamos se tivermos a possibilidade de auditar os indicadores!
Quem analisa dados políticos com seriedade não acredita em mais nada. Essa taxa de desemprego divulgada e defendida, inclusive em plenário, não nos convence. O governo calcula com base em critérios políticos, assinados por técnicos que utilizam metodologia inadequada e ‘maquiada’. A propósito, tivessem esses sido alunos do nosso ex-professor de Estatística lá da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Franca, Luiz Páride Sinelli, com certeza seriam reprovados e não colariam grau.
O que interessa para tais ‘técnicos’ e para o governo é que, para alcançar os resultados esperados, desprezam situações que não levam aos resultados verdadeiros. Vejamos:
(a) Como aceitar que para divulgar a taxa de desemprego do Brasil a coleta de dados através da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) seja realizada somente nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre? Ora, taxa de emprego não é pesquisa eleitoral, realizada por amostragem; Tem utilizar todos os dados disponíveis no Brasil! São 5,5 mil municípios de realidades totalmente diferentes umas dos outras. Como aprendemos nos bancos acadêmicos, essa pesquisa não espelha a realidade brasileira;
(b) Pelos dados do PEA (População Economicamente Ativa), somente fazem parte desse grupo os ocupados, e os que têm procurado emprego nos últimos 30 dias. Se a pessoa tiver desistido de procurar emprego, não é mais considerada desempregada, desocupada. Os técnicos do IBGE afirmam que a Taxa de Desemprego caiu 11,8% em relação a novembro de 2014, em razão da ‘retração da procura por trabalho’. Não dá para acreditar que o governo possa retirar das estatísticas aquele trabalhador que não retornou em um posto de atendimento ao trabalhador a cada trinta dias. É um absurdo!(;
(c) Na mesma linha, o governo não considera, para dados estatísticos, parte dos beneficiários do Bolsa Família, mesmo que viva única e exclusivamente do benefício;
(d) Igualmente, do cálculo da taxa de desemprego excluem-se os que recebem o seguro desemprego. Mas, como é que um cidadão que recebe seguro desemprego por estar desempregado, se torne dado estatístico que não o considere desempregado? Gostaria que alguém nos explicasse. Com minha ignorância não consigo entender como os gastos com o seguro desemprego aumentaram 383% em dez anos e o governo anuncia que houve, no mesmo período, queda de desemprego no Brasil?
(e) Tem também o grande problema dos jovens que atingem idade para o trabalho. Estatisticamente, mais de 40% não procuram emprego. Não entram nas estatísticas oficiais como desempregados. Como não trabalharam com carteira assinada, para o governo não são desempregados. Integram a problemática da denominada geração ‘nem nem’, pois nem trabalham e nem estudam visto que o Estado não lhes proporciona nenhuma oportunidades através de educação profissional.
Caros leitores. A desconfiança e o descrédito se alastram em nosso país! Como acreditar em governo que apresenta dados como se fossem a mais cristalina verdade, se tais números podem ser facilmente contestados por qualquer cidadão um pouco mais atento? Esse método politicamente adotado distorce dados e subestima o desemprego real no Brasil. A triste realidade é que estamos vivenciando uma das mais sérias crises institucionais, em todos os aspectos, de nossa história.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netiste.com.br
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