De acusadores a réus


| Tempo de leitura: 3 min
‘Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela’.
(João, 8.7)
 
Com estas palavras Jesus despediu uma mulher trazida até a sua presença por fariseus e mestres da lei. Este encontro, registrado no capítulo 8 de João, é fonte de muitas lições sobre uma espiritualidade fundamentada no princípio do amor, manifesto através de atos de compreensão e misericórdia. Quando a mulher chegou até a presença de Jesus, já estava sentenciada e praticamente executada. Os homens que a levaram àquela situação queriam apenas usá-la para incriminar Jesus por suas próprias palavras. Queriam que o mestre incorresse no erro do contraditório, ou seja, se dissesse que não deviam condená-la estaria infligindo à lei que foi dada por Deus a Moisés, e naturalmente dando-lhes ferramentas para incriminá-lo. Por outro lado, se dissesse para condená-la, a sua atitude seria usada, como argumento de que pregava o amor, mas não praticava o mesmo. Só desconheciam um detalhe: estavam diante da fonte de toda sabedoria.
 
Diante do fato, Jesus ignorou a chegada dos religiosos, sempre tão prestigiados pela população em geral. Foi necessário insistirem muito para que Jesus lhes dirigisse a palavra. Parecia estar mais interessado num desenho na areia, do que propriamente naquele assunto. Quando resolve quebrar o silêncio, dirige-se aos religiosos e diz: ‘Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher’ e volta a escrever no chão. Estas palavras invertem as posições. De acusadores, os religiosos passam a réus de suas próprias consciências, e começando pelos mais velhos até os mais novos, todos emudecidos, deixam o local. Em seguida, Jesus pergunta à mulher: ‘Onde estão os teus acusadores’? Vemos nesta pergunta, um ato terapêutico profundo. Jesus se dirige a uma mulher que sabia que era pecadora, e pergunta-lhe onde estavam os puros que a condenavam e a julgavam. A mulher responde que eles haviam ido embora sem condená-la. A resposta da pecadora era necessária no processo da cura. Era necessário que ela dissesse com os seus próprios lábios: ‘Não, ninguém me condenou’, para ouvir, em seguida, de Jesus: ‘Nem Eu tampouco te condeno, vai e não peques mais’.
 
Caro leitor, a lei do amor é aquela que nos faz soltar as pedras, que nos faz voltar para dentro de nós mesmos, tomados pela consciência de que também precisamos de perdão e restauração. Se existe uma coisa que Jesus sempre combateu foi a hipocrisia. Nada aborrece mais o mestre do que a falsidade presente na religiosidade daqueles que honram-no com lábios, mais que mantém seus corações longe da verdade de Deus. É muito fácil julgar os outros, porém, o difícil é avaliarmos nossas próprias atitudes, é olharmos para dentro de nós e a partir da constatação de que também falhamos termos a coragem de afastar as mazelas do pecado, muitas vezes presentes em nosso viver. É por esta razão que o cristianismo está assentado sobre a mais sólida de todas as bases, a base do amor. É justamente isto que o amor faz. Dá novas oportunidades, estende a mão para curar a alma, a ferida, e revelar a semelhança de todos os homens sua miserabilidade e carência, da bendita e surpreendente misericórdia do Pai. Tenha sempre em mente, que com isto, Deus não está dando autorização para vivermos no pecado. Pelo contrário. Deus sempre repudiará o pecado, contudo, sempre amará o pecador que entrar pelo caminho do arrependimento. Ouça o ecoar da voz do mestre, dizendo: ‘Vai e não peques mais’. Deus vos abençoe. 
 
Pastor Isaac Ribeiro
presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus/Franca – Ministério Missão
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários