Liberdade de imprensa


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O ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, provocando doze mortes, e que teria sido motivado por ódio religioso, portanto um ato de origem ideológica, é fato que nos leva a refletir sobre a vida em sociedade e a insegurança crescente. Na atualidade há pessoas dispostas a tudo, facilmente manipuladas por líderes que buscam outros objetivos, disfarçados (no presente caso) em orientação religiosa. Assim, pensando estarem lutando por causa justa e nobre, jovens colocam suas vidas a serviço de tais lideranças. O que temos que enaltecer é a pronta decisão e a atitude das autoridades franceses em buscar os criminosos imediatamente, colocando pessoal e material disponível aos policiais.
 
Que nos desculpem, mas se fosse no Brasil, tais criminosos seriam tratados com carinho e teriam direito a tudo que o cidadão de bem não consegue receber do Estado. Teriam advogados com teses ‘mirabolantes’, receberiam auxílio reclusão, bolsa família, vale isso e vale aquilo, visita íntima, banhos de sol, ótimas refeições ao dia que muitos não têm no seu dia a dia. Em datas especiais receberiam os benefícios dos indultos para passarem os dias com seus familiares e poderiam ‘optar’ por não voltar aos presídios. Na França o tratamento foi a lei, pago na mesma moeda. Tiveram o que mereceram, igualmente à cena produzida por eles ao darem um tiro, sem dó nem piedade, na cabeça de um policial caído na calçada.
 
Na mesma linha, fosse no Brasil, os policiais que participaram do cerco e que mataram os terroristas, teriam as armas apreendidas e responderiam sindicâncias que poderia resultar em expulsão haja vista que a comissão de Direitos Humanos pediria a cabeça deles e de seus comandantes. Na França, policiais que participaram da ação foram parabenizados por ato de bravura. Temos que refletir sem nos deixarmos manipular. A propósito, nas últimas eleições a liberdade de imprensa foi atacada por manifestantes pró manutenção do governo quando a revista Veja foi atacada por questões políticas. O que não faltou durante a campanha eleitoral foi generalização do ódio ideológico, político partidário, que enxerga a oposição como inimigo a ser exterminado ‘custe o que custar’.
 
Enfim, nossas autoridades que falam e pregam que aqui é o melhor país do mundo, provavelmente não conseguem analisar o que acontece nos países chamados de primeiro mundo, onde, realmente, o Estado toma providências. Por essas e outras é que nosso país é tratado com sátira. Somos a ‘pátria do tudo pode, tudo acontece’ e não atitude do Estado em restabelecer condições mínimas da vida em sociedade. Aliás, é próprio Estado o maior descumpridor de normas e ator central dos vários desmandos que por aqui ocorrem.
 
ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA FRANCANA: Com tristeza recebemos as notícias sobre as dificuldades do time da Francana para participar do campeonato paulista da série A-3. Respeitamos a diretoria e seus atos, mas a mesma não pode, simplesmente, ‘abandonar o barco’, alegando dificuldades financeiras. A situação delicada era de conhecimento de todos. igualmente dos que colocaram seus nomes a disposição para assumir o clube esmeraldino. Essa mesma diretoria divulgou, através da imprensa, que já tinha patrocínio suficiente para manter o clube durante o campeonato. Das duas uma. Ou a diretoria pode ter se precipitado em divulgar tal informação, sem efetivamente ter a assinatura contratual do patrocinador; ou não tinha nada de concreto e queria criar um fato. Acreditamos que o Conselho deva requerer esclarecimentos a respeito. O Conselho, por sua vez, que em tantas outras eleições sempre aceitou que candidato comprasse o título de sócio naquele momento para poder participar da disputa, dessa feita foi literal na interpretação do Estatuto. É fato também que deve ser esclarecido.
 
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
 

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