Discípulos ou consumidores?


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‘Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes’.
 
(I Timóteo 6.7,8)
 
 
O grande problema que estamos enfrentando atualmente, especialmente nós que vivemos nos moldes do mundo capitalista é, sem sombras de dúvidas, o consumo irresponsável que somos incentivados a praticar, através da exagerada quantidade de propagandas à qual somos expostos. Gera uma multidão de consumidores expostos a motivação desvairada ao consumo.
 
Precisamos estar atentos ao fato de que estas imagens são tremendamente persuasivas. A propaganda quase sempre usa luvas macias ao invés de punho de ferro. Fala com doçura e sensibilidade ao invés de formas ditatoriais. Conquista com promessas e não com ameaças. Envolve tanto quanto o ar que respiramos. 
 
A bem da verdade, consumo não significa, necessariamente, algo mal. Ao contrário, é necessário que haja para que o país possa crescer e se desenvolver. Todavia, não podemos consumir de forma irresponsável. Devemos consumir para viver e não viver para consumir. 
 
O problema é que o consumidor compulsivo não busca possuir as coisas, e sim consumir coisas. O pior é que faz incessantemente, sem nunca se satisfazer, e quando, de repente, deixa de consumir entra em desespero, posto o vazio que possui dentro de si. Quantas vezes pensamos que se possuirmos um determinado produto seremos mais felizes. Assim, compramos. Posteriormente constatamos que a insatisfação permanece. 
 
Todavia, o que mais nos preocupa enquanto servos de Cristo, é que essa mentalidade tem permeado, em grande medida, as programações das igrejas. A escolha das músicas, a forma e o conteúdo das pregações, o tipo de liturgia, as estratégias para crescimento de comunidades locais, tudo é feito com o objetivo de satisfazer necessidades emocionais, físicas e materiais das pessoas. E neste afã, acaba prevalecendo o fim sobre os meios. 
 
Métodos são justificados à medida que se presta a atrair mais frequentadores, e torná-los felizes, satisfeitos, dispostos a continuar frequentando a igreja. 
 
Vivemos a época dos enlatados prontos para usar, do fast food, do microondas instantâneo e assim, sem que nos apercebamos, nossa vida espiritual é afetada pelo consumismo imediatista: ‘Cure agora. Sare já. Benção imediata’. 
 
Há incontáveis que deixaram de pregar o arrependimento, a santificação, a volta de Jesus, o arrebatamento da igreja, a ressurreição dos mortos e a necessidade de vivermos uma vida voltada para os princípios estabelecidos por Deus, através da fé. 
 
Caro leitor. Jesus nunca fez apologia à pobreza, e também não é nossa proposta, mas todas as vezes nas quais as pessoas o cercavam apenas com desejos materialistas Ele mostrava a elas que o mais importante é fazer a vontade do Pai, em plena obediência à sua palavra. 
 
É verdade que Jesus realizou vários milagres para satisfazer as necessidades materiais das pessoas, mas condenava a busca desenfreada e incessante das coisas terrenas. Jesus poderia ter satisfeito as necessidades da multidão e saciado o desejo dela em ter mais milagres, sinais e maravilhas. Teria sido feito Rei, teria o povo a seu lado mas preferiu ter só um grupo de pessoas o seguindo pelos motivos certos, a ter vasta multidão que o fizesse por motivos errados. Preferiu discípulos a consumidores. Deus vos abençoe.
 
Pastor Isaac Ribeiro
presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus/Franca – Ministério Missão
 

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