A festa da Epifania é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. Os homens de boa vontade têm uma ‘estrela’, não cessam de ‘sonhar’ um caminho alternativo que não passe pelos poderosos, mas nasça do menino-pastor. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas Deus a ilumina, gerando forças e vida nova. Os textos sagrados para hoje são Isaías 60 (Primeira Leitura), Efésios 3 (Segunda Leitura) e Mateus 2 (Evangelho).
Primeira leitura — Isaías 60: A primeira leitura se refere à cidade de Jerusalém. A situação da cidade é desanimadora. Teria Javé abandonado seu povo e a cidade santa? O papel do profeta é suscitar ânimo e esperança. Javé continua sendo o esposo da cidade. Por causa do amor fiel que tem para com Jerusalém, a cidade será ponto de convergência da caminhada das nações.
É um marido apaixonado que deseja todo o bem à sua amada. Ele é luz e permite à cidade participar dessa luz. A comunidade é sacramento do encontro com Deus. Sabemos que esse ideal não se concretizou em Jerusalém, pois ela recusou o Salvador. O Novo Testamento, na pessoa de Jesus, irá propor o Reino de Deus como alternativa contra os imperialismos que esmagam a vida do povo.
Segunda Leitura — Efésios 3: A carta aos Efésios utiliza as palavras ‘projeto de Deus’. Prefere falar de mistério mas esses termos nada têm a ver com algo obscuro ou incompreensível. Ao contrário. Mistério corresponde à revelação do plano divino.
Mediante esse Evangelho, todos são chamados à vida e à liberdade trazidas por Jesus. É disso que Paulo se torna anunciador e missionário, dedicando sua vida à evangelização dos pagãos. Esses, pela adesão a Jesus, não são mais estrangeiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus. A comunidade cristã não está subordinada a raça ou nação. Excluir alguém seria eliminar a cabeça (Cristo), pois ele veio para todos. A salvação é acessível como oferta graciosa de Jesus a todos, sem discriminação.
Evangelho — Mateus 2: O evangelho mostra que o verdadeiro rei dos judeus não é o violento (assassino), prepotente e politiqueiro Herodes, estrangeiro idumeu, lacaio do poder romano opressor. Herodes e a cidade inteira se agitam com o anúncio de novo rei. O verdadeiro rei dos judeus é um recém-nascido, que tem suas raízes no poder popular alternativo que se forma a partir do descontentamento e das necessidades básicas do povo, ou seja, é rei à semelhança do pastor Davi. Os magos são os primeiros a intuir isso e o desejo deles é adotar esse novo poder que nasce do pobre. Eles são guiados por uma estrela que exprime as intuições mais puras e os anseios mais profundos da humanidade sedenta de paz, justiça, fraternidade.
Os reis magos reconhecem, pois, a nova maneira de exercer a realeza e o poder. Aderem ao projeto de Deus que salva as pessoas a partir do pequeno e do pobre, e não a partir dos poderosos e violentos como Herodes. O gesto de reconhecimento é acompanhado da oferta do que há de melhor em seus países: ouro, incenso e mirra. Para os padres da Igreja, essas riquezas simbolizam a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a paixão de Jesus (mirra). O texto termina mostrando que o caminho da salvação não passa por Jerusalém, menos ainda tem a ver com o aparato político-repressor de Herodes. Os magos voltam para casa por outro caminho, aquele que o discernimento lhes indicou.
O episódio recorda que é grave engano supor que a salvação e a vida venham de poderosos. Ao se aliar com eles, a Igreja se torna cúmplice de projetos de morte. Os magos, ao tomar rumo novo, apontam para a novidade que nos espera e desafia no campo da evangelização.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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