Um governo que comemora o aumento no número de distribuição de Bolsa Família, apenas está afirmando que não consegue reduzir a pobreza. Deveria, isto sim, comemorar a redução do número de necessitados. Com a proximidade do Natal e do Ano Novo as pessoas ficam mais sensíveis a problemas sociais e receptivas a pedidos de ajuda por quem quer que seja.
Pedidos de esmola, então, aumentam de forma assustadora. Não falamos apenas dos pedintes que se amontoam nas sarjetas, nos semáforos, nas portas de comércios etc., mas, especialmente, do lucrativo ramo do ‘negócio da miséria’. Empresas, políticos, artistas que desejam aparecer na mídia e aumentarem o ‘ibope’ junto à comunidade lucram, menos o ‘suposto favorecido’ que continua exatamente na mesma posição que se encontrava anteriormente.
Não somos especialistas, mas cremos que esmolar tenha, efetivamente, melhorado qualidade de vida e de dignidade a quem pede. Alimentar alguém simplesmente para matar sua fome é adiar o problema. Logo, e muito rapidamente, a fome se manifesta novamente. A questão que fica é simples: por que a miséria nunca termina se o governo diz que gasta milhões em ações e campanhas; se há instituições que pedem e continuam pedindo durante todo o ano? A resposta a esses questionamentos é simples: a miséria nunca termina porque não estamos sustentando pessoas, e sim, sustentando a própria miséria!
Quando percebermos que devemos desenvolver forma sustentável de ajudar aos mais necessitados, estaremos contribuindo para a solução de vários problemas do relacionamento social da vida em comunidade.
Ao invés de simplesmente dar esmolas e achar que está fazendo a nossa parte para solucionar necessidades dos menos favorecidos, porque não pensamos em doação? Sim. Doação! Doação de tempo, para ensinarmos, repassar conhecimentos adquiridos; para conhecermos a instituição para qual efetuamos doações e poder saber de sua idoneidade e da idoneidade de seu projeto; conversar por alguns minutos com aqueles que são ignorados pela comunidade e até por seus parentes, dando atenção a quaisquer assuntos, por mais simplórios que possam parecer.
Gostaríamos de ver que o espírito comunitário e as doações ocorressem durante todos os meses do ano e não apenas no mês de dezembro. Num país tão marcado por desigualdades sociais, os maiores presentes que poderíamos dar uns aos outros, deveriam ser a solidariedade, a bondade, o exemplo de virtude, ética e moral tão esquecidas nos últimos tempos. Porém, como em todos os outros finais de ano, todas estas manifestações sempre terminam com o início do ano novo. O que permanece são belas palavras, que não exprimem a realidade do dia a dia.
Ocorre que o Natal está consumista demais, Atualmente apenas retrata o presentear, e isso está acima da religiosidade que deu origem às comemorações. Ninguém mais se contenta em receber sincero abraço e declaração de desejo de felicidade para o novo período que se inicia.
Para as gerações doutrinadas pela figura do ‘bom velhinho’, nada disso tem valor se não estiver acompanhado de um ótimo presente, mesmo que tal agrado fique, logo depois, jogado num canto da casa e sem qualquer utilidade.
Entristecemos quando vemos nos centros comerciais crianças fazendo ‘birra’ para que os pais lhes comprem presentes, mesmo que para isso comprometam seus próximos dez meses de salários. É esse consumismo desenfreado que irá acabar com nosso planeta! Pensamos que a figura de Papai Noel que induza a ‘consumo doentio’ já extrapola limites de racionalidade. Mesmo sem um presente, que todos os nossos leitores tenham, de coração, um feliz Natal.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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