Nossa Senhora e o Salvador


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No último domingo do Advento encontramos a ternura de Nossa Senhora nos ajudando a ter Jesus presente na nossa vida. Vamos aos textos sagradas reservados para hoje — IIº Samuel 7 (Primeira Leitura), Romanos 16 (Segunda Leitura), Lucas 1 (Evangelho).

Primeira Leitura — IIº Samuel 7: Quando envelhece, Davi se dá conta que a situação política do grande reino, que à custa de tanto sangue ele construiu, não é estável. Há hostilidades dos povos vizinhos, rivalidades fortes entre as diversas tribos e, sobretudo, rixas entre seus numerosos filhos (teve mulheres demais!). O velho soberano conclui que não poderia morrer tranquilo diante do pensamento que sua dinastia possa ser aniquilada por luta fratricida na sua sucessão.

Talvez por causa das violências cometidas, Davi, durante os últimos anos da sua vida, alimenta a idéia fixa: construir um templo para o Senhor. Manda vir à sua presença um seu conselheiro, o profeta Natã, e lhe expõe seu projeto. Tomado um pouco de surpresa, Natã aprova, mas naquela mesma noite, pensando melhor, compreende que Deus não quer que seja Davi quem deva construir o templo, mas sim, seu filho Salomão. Então lhe diz: ‘Não serás tu quem construirá uma casa para Deus, mas será Deus quem construirá uma casa estável, sólida e eterna para ti’. Em nome de Deus Natã garante a Davi: seu sucessor será alguém da tua família, um filho teu, e a tua dinastia durará para sempre.

Na história de Israel essa promessa se transformou em referência permanente. Num trágico dia do mês de julho do ano de 587 a.C. aconteceu fato dramático: os babilônios acabaram com a dinastia de Davi. A realização da profecia foi imensamente superior a tudo aquilo que Davi podia esperar e a tudo que o próprio Natã sonhava. Pensavam num reino terreno, e Deus deu a Davi um descendente destinado a reinar para sempre: Jesus, o filho de Maria.

Quando somos envolvidos em dificuldades, nas horas de medo, quando tememos que possa ser destruído o que, com grande sacrifício construímos, nós também, como Davi, nos voltamos para o Senhor. Imploramos que sustente nossos programas, que transforme nossos sonhos em realidade. Ele responde indo além das nossas expectativas. Ouve nossas orações e atende... mas à sua maneira.

Segunda Leitura — Romanos 16: Para nós, mistério significa algo que não se entende. Para Paulo, tem sentido diferente: significa o projeto de salvação que Deus conhece desde a eternidade, ao passo que para todos os outros, permanece oculto. Com a encarnação do Filho de Deus, este ‘mistério’ começa a ser revelado, torna-se visível aos homens. Nos poucos versículos da carta aos Romanos, Paulo agradece a Deus por esse misterioso projeto de amor.

Evangelho — Lucas 1: Lucas é o evangelista dos pobres. Sempre sublinha que as escolhas de Deus são para os últimos da terra. É ele que transforma os desertos em jardins e os jardins em florestas, da mesma forma que tornou fecundo o seio ‘desértico’ de uma virgem. Qual é, então, a missão confiada a Maria? É a de proclamar a todos o que é que permite realizar o amor de Deus. À objeção de Maria o anjo responde: ‘A força do Altíssimo te cobrirá com sua sombra’. Ao afirmar que sobre Maria pousou a sombra do Altíssimo, Lucas quer dizer que nela estava presente o próprio Deus. Diante de Deus nos sentimos demasiadamente pobres e indignos. Ao repassar nossa vida encontramos maus hábitos mas não podemos desanimar, pensando que talvez não haja salvação possível. Mas, lembremo-nos: para Deus ‘nada é impossível’. Ele costuma iniciar suas obras-primas onde encontra maior pobreza, maior miséria.


Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br 

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