A conversão


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Hoje é o segundo domingo do Advento, véspera da solenidade de Nossa Senhora Imaculada Conceição, nossa padroeira. As Leituras Sagradas reservadas para hoje são Isaías 40 (Primeira Leitura), 2ª Carta de Pedro 3 (Segunda Leitura) e Marcos 1 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Isaías 40: Depois de aproximadamente quarenta anos da destruição de Jerusalém pelo exército do rei Nabucodonosor, surge entre eles um profeta iluminado, teólogo genial. Acompanha os acontecimentos políticos e percebe que o reino da Babilônia está desmoronando, ao mesmo tempo em que se fortalece o poder de Ciro, sábio rei da Pérsia. Pensa, então, ter chegado o momento de despertar, nos exilados, a esperança do fim da escravidão e do retorno à terra dos próprios pais. 
Suas palavras também nos convidam a preparar a estrada através da qual poderemos encontrar nossa liberdade. Somos escravos de paixões, egoísmos, invejas, rancores. O Senhor vem para libertar-nos. No mundo há povos que lutam um contra o outro; no mesmo povoado há pessoas que se odeiam; na mesma família o marido que não conversa com sua esposa. Entre essas pessoas em constante discórdia, há montanhas que devem ser abaixadas, há vales que devem ser aterrados, há estradas que devem ser abertas: entre pais e filhos, marido e mulher, entre parentes, entre vizinhos. Os que se recusam a restabelecer relações nunca serão libertados. O profeta supõe que os exilados estejam voltando para Jerusalém. Quem os guia não é Moisés, como no êxodo do Egito. É o próprio Senhor que os precede, como um pastor que conduz suas ovelhas, ‘carregando’ os cordeiros nas dobras do manto e as ovelhas que amamentam. 
 
Segunda Leitura — 2ª Carta de Pedro 3: O autor da carta se dirige aos cristãos das suas comunidades e os conclama não só a não desanimar diante das zombarias dos inimigos, mas também a reconsiderar a própria maneira de interpretar a fé. Devem abandonar idéias retrógradas, fruto da imaginação e da fantasia sem qualquer fundamento no evangelho. As exortações contidas nesta leitura valem também para nós. Quando constatamos que, depois de 2 mil anos da vinda de Cristo, o mundo mudou tão pouco. Os homens continuam se odiando, promovendo guerras e oprimindo os fracos. Somos tentados a perder a esperança e a pensar que só quimera um mundo de justiça e de paz.
 
Evangelho — Marcos 1: Em toda a região da Judeia o povo alimentava grandes esperanças no Messias que chegaria para transformar a situação social: tirar os ricos de seus tronos, destruir os malvados, tornar feliz os pobres, acabando com o mundo antigo e dando início a uma humanidade completamente nova. O Batista, então, começa sua pregação ao longo do rio Jordão conclamando para um batismo que converte os pecados e, exigindo que se constitua comunidade dispostas a mudar de vida. 
Enquanto não renunciarmos a nossos pecados, como exigia o Batista, não poderemos esperar pela vinda do Salvador e pelo surgimento de sociedade e mundo novo. O modo como João se vestia era, antes de mais nada, esquisito. ‘Vestia uma pele de camelo e tinha os rins cingidos, com um cinto de couro’. O que o evangelista quer dizer, portanto, é que João era o grande profeta que o povo estava esperando, que devia preparar o caminho para o Messias. João não se alimentava com os produtos dos campos cultivados: ‘alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre’. Este detalhe também é significativo: a escolha de alimentar-se daquilo que cresce no deserto indica recusa ao que a sociedade corrupta oferece e que o Batista condena. Essa sociedade está corrompida e prestes a desmoronar. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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