Estamos iniciando o tempo litúrgico do Advento que prepara a Solenidade do Natal. A cada domingo a Palavra de Deus se encarregará de nos ajudar nessa preparação. Vamos aos textos sagrados reservados para este domingo: Isaías 63 (Primeira Leitura), 1º Coríntios 1 (Segunda Leitura), Marcos 13 (Evangelho).
Primeira Leitura — Isaías 63: Transcorreram poucos anos da destruição de Jerusalém e do seu Templo. Os deportados guardam na mente a derrota sofrida. Não se pode contar com um ‘redentor’ porque os membros desse povo se tornaram escravos. O povo apela a Deus e pede libertação da escravidão.
O autor do trecho rememora tempos passados e lembra que Deus sempre interveio para iluminar as noites tenebrosas nas quais Israel se deixou envolver. Recorda a libertação do Egito e conclui: ‘Nenhum ouvido ouviu, olho algum viu outro deus salvar assim aqueles que contam com ele’.
Os israelitas exilados tomam consciência da causa das próprias desventuras: ‘Vós, Senhor, vos irritastes, porque pecamos contra vós, as nossas iniquidades nos levaram longe como o vento e nos deixastes à mercê dos nossos pecados.’ A confissão se encerra com grito de confiança: ‘E no entanto, Senhor, vós sois nosso pai, nós somos a argila da qual sois o oleiro, todos nós fomos modelados por vossas mãos.’
A situação é igual à de quem se escraviza ao pecado. Seduzido por falsas promessas do mal, abandona o caminho de Deus. Tem certeza alcançará a felicidade, mas só encontra desilusão, solidão e amargura.
Segunda Leitura — 1ª Coríntios 1: A leitura contém os versículos iniciais da primeira carta aos cristãos de Corinto. Os cristãos daquela comunidade acolheram o Evangelho com entusiasmo, mas aos poucos recaíram nos vícios da vida passada. Paulo não deixa de convocar a todos para maior seriedade de vida. Deus — ele afirma — realizou coisas maravilhosas nos cristãos de Corinto, enriqueceu-os com dons, fortaleceu-os na fidelidade ao Evangelho e os mantém vigilantes na espera do Senhor. Também nós esperamos a vinda do Senhor e um reino de justiça e amor. Ao considerarmos, porém, nossa fraqueza, sentimos a tentação do desânimo. Deus não se assusta com nossos erros. É suficiente que abramos nosso coração a seus dons.
Evangelho — Marcos 13: O verbo ‘vigiar’ aparece várias vezes no texto: ‘ficai de sobreaviso, vigiai!’, ‘vigiai, pois, vigiai’. Durante a noite tudo é silêncio e nela, movimenta-se o ladrão, quem pratica o mal, quem prefere a escuridão para que suas obras não sejam descobertas. A verdadeira vida recomeça na manhã. Eis por que alguém vigia: porque espera a luz. A noite é símbolo do tempo da nossa vida. O cristão não pode dormitar, não pode se abandonar à embriaguez, adultérios, vinganças, violências...
Lembramo-nos de momentos luminosos de nossa vida: jovens, com saúde, fortes, bonitos, de profissão garantida e bem remunerada, estimados, todos nos procurando. Na luz, encontramos o rumo certo. Aí, caem as sombras do entardecer e chegam noites de desventura, infortúnio, doença, dor, incompreensão, velhice, solidão. Ficamos desnorteados, nos tornamos vítimas da aflição e não sabemos a quem nos dirigir. Não há ninguém do lado. É nessas horas que devemos vigiar e cultivar a confiança no Senhor que ilumina nossas noites. O Senhor é Jesus, que não partiu para sempre. Voltará. Ai ir-se deste mundo deixou a seus discípulos a missão de completar sua obra. Segundo suas próprias capacidades, cada um deles foi chamado a desenvolver um mistério a serviço dos irmãos, mas cristãos não esperam passivamente seu retorno. Trabalha, se esforça. Espera, sim, que o Senhor faça surgir o mundo novo, mas colabora para construí-lo. Advento é tempo de espera.
Mosenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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