Justificativas injustificáveis


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A presidente Dilma Rousseff concedeu entrevista em Brisbane (Austrália), comentando prisões de empreiteiros ligados ao escândalo da Petrobras. A cada notícia nova, demonstramos à comunidade internacional que não somos um país sério. Ela proferiu frases que parecem as mesas do período eleitoral. Estão deturpadas e fora do contexto do que a sociedade espera, ou seja, a realização da verdadeira justiça. 
 
A presidente afirmou: ‘acho, de fato, que isso pode mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que se vai acabar com a impunidade. Esta é, para mim, a característica principal desta investigação, primeiro escândalo de nossa história investigado.’ Com todo respeito a presidente quer fazer crer que antes dela ninguém investigava nada e que é o seu governo que está marcando a história brasileira. A senhora presidente esqueceu-se que em campanha afirmava que o ‘mensalão’ foi o primeiro caso investigado em nosso país. É estranho, mas alguém precisa lembrá-la que em nosso país há vários casos de desvios de dinheiro público e corrupção que foram investigados em razão de denúncias feitas pela imprensa. Recordemos alguns para que os detentores do poder não pensem que todos nós somos alienados sem memória: (1) Pedro Collor, em entrevista a revista Veja, em 1992, deu início ao processo de impeachment de seu irmão, o presidente Fernando Collor de Mello; (2) Em 1993, a mesma revista Veja publicou reportagem com o senhor José Carlos Alves dos Santos, ex-assessor da Comissão Mista de Orçamento. Ele contou que parlamentares faziam emendas destinando dinheiro a entidades ligadas a familiares e a ‘laranjas’. Foram os ‘anões do orçamento’. Na oportunidade vários parlamentares renunciaram ou perderam seus mandatos; (3) A Folha de São Paulo, em 2005, publicou denúncia do então senador Roberto Jefferson, revelando o esquema de desvio de dinheiro público apelidado de ‘mensalão’. Afirmou, na oportunidade, que relatou o fato a vários ministros e ao presidente da República e esses não tomaram nenhum providência; (4) Em razão das investigações do ‘mensalão’, em julho de 2005 o jornal O Globo publicou que o operador do ‘mensalão’ do PT, Marcos Valério confessou que o esquema montado não era novidade, pois já havia montado um similar para a coligação de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) em Minas Gerais. Poderíamos enumerar aqui, também, muitos outros casos estaduais e municipais. 
 
A presidente também afirmou que ‘Talvez sejam esses escândalos que não foram investigados os responsáveis pelo que aconteceu na Petrobras.” O discurso utilizado na campanha, afirmando que outros não investigaram para justificar a omissão governamental em casos gravíssimos, apenas satisfazem nossos irmãos brasileiros, pessoas humildes que não tiveram a oportunidade de ter escola pública de qualidade, e assim, pudessem formar suas próprias convicções, sem serem manipuladas por dados duvidosos. As justificativas da presidente ‘não colam’. A verdade é que o escândalo da Petrobras, hoje, só está sendo investigado por causa, da imprensa, de policiais federais concursados e de um juiz que não está se intimidando com as pressões que deve estar sofrendo. Assim, tomou proporções que o governo, mesmo tentando, não consegue esconder. 
 
A presidente alega que precisa ter acesso às delações para agir. Ora, o que querem é ter acesso para verificar nomes e o teor das informações para terem tempo de preparar defesas, ou fugirem do país. Para nós, o maior responsável pelos desvios na Petrobras é o próprio governo, seja por envolvimento direto, por omissão ou incompetência. É isso, senhora presidente! Queremos ver tudo apurado! Como a senhora bem disse, ‘doa a quem doer, inclusive aos mais altos cargos na estrutura política hierárquica de nosso país, pois continuar relativizando a corrupção passiva e ativa é uma ofensa ao povo brasileiro!’.
 
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
 
 

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