Deus nos reúne em sua casa e nos adverte que todo cristão deve multiplicar os talentos recebidos. Não combina com Deus ficar medroso. Os desafios existem e devem ser enfrentados. Vamos ao que nos ensina a Palavra de Deus através das leituras deste domingo - Provérbio 31 (Primeira Leitura), 1ª Tessalonicenses 5 (Segunda Leitura), Mateus 25 (Evangelho).
Primeira leitura — Provérbios 31: Em alguns textos do Antigo Testamento a mulher é apresentada como sedutora, faladeira, ciumenta, curiosa, vaidosa. Era a mentalidade. Essa leitura, ao contrário, a exalta. (1) É valorosa: faz a felicidade do marido, na família difunde paz, serenidade e harmonia. (2) É laboriosa. Não fica de mãos inativas, não se perde em conversas vazias e se agita para que na sua casa nada falte. (3) Tem coração generoso. Comove-se diante das necessidades dos pobres e os socorre. Não guarda para si e para sua família o fruto de seu trabalho, mas o partilha (4) É religiosa, cumpridora dos mandamentos de Deus. Há mulheres assim hoje? Há. De qualquer forma, é sintomático o fato da liturgia de hoje, para falar de laboriosidade, dedicação, empenho, tenha escolhido texto apresentando a mulher.
Segunda Leitura — 1ª Tessalonicenses 5: Em Tessalônica havia inquietação: cristãos tinham certeza de que o fim do mundo e a volta do Senhor aconteceriam muito breve. Desejosos de saber, encarregaram Timóteo de perguntar a Paulo se ele tinha indicações exatas acerca do tempo em que tudo aconteceria. O Apóstolo responde: não é possível saber. Deus age de maneira imprevisível e intervém quando menos esperamos. O importante, diz ele, não é conhecer dia e hora, mas não deixar-se envolver pelas trevas do mal. Desde o dia do próprio Batismo os cristãos se tornaram filhos da luz e filhos do dia, e não podem, portanto, se deixar surpreender como quem vive no escuro e está entontecido pelo sono.
Evangelho — Mateus 25: O homem do qual fala a parábola é senhor oriental muito rico. Um talento não é quantia pequena: corresponde a vinte anos de trabalho de um operário. O que significam os talentos entregues aos três servos? O v. 15 diz que foram distribuídos ‘a cada um conforme as suas capacidades’, portanto, não pode se tratar de capacidades. O Senhor rico é Cristo que, antes de deixar este mundo para entrar na glória do Pai, deixou bens aos discípulos. O tempo no qual os talentos produzen frutos é o que vai da Páscoa à volta de Cristo no fim do mundo. É, portanto, o tempo da Igreja. Os servos são os membros das comunidades cristãs.
Em que consiste a riqueza entregue aos servos? É o que Jesus deixou à sua Igreja: o Evangelho, sua mensagem de salvação; o Batismo, a Eucaristia e os sacramentos; o poder de curar, de consolar, o amor pelos pobres e com os que sofrem. Quem é o personagem principal? O foco central está no terceiro servo, o bloqueado pelo medo. As palavras que o Senhor lhe dirige contêm o ensinamento principal: a única atitude inaceitável é a daquele que não faz nada. O medo do servo também merece citação. É possível ter medo de Jesus? Infelizmente, sim! Há ainda muitos cristãos com medo de Cristo e de Deus, conseqüência de interpretação distorcida da Bíblia.
‘A quem tem será dado e possuirá na abundância, mas a quem não tem será tirado também o que tem’, cita provérbio popular que reflete situação de fato. Riqueza tende a se acumular: o rico fica sempre mais rico. O provérbio quer dizer que o mesmo acontece com as riquezas do Reino de Deus: comunidades comprometidas, generosas e abertas aos sinais dos tempos progridem mais, ganhando maior vitalidade. Já as que se dobram sobre si mesmas envelhecem e entram em decadência. Não será de estranhar se desaparecerem.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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