‘Estelionato’ eleitoral


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Sempre que abordamos questões políticas, leitores se manifestam, alguns favoráveis, outros contrários, mas para nós o importante é que temos conseguido despertar interesse e gerar discussão sobre temas que nos regem e envolvem a vida em sociedade. Trabalhamos profissionalmente para políticos de vários partidos mas nunca fomos filiados a nenhum partido. Não fomos e não seremos. Partidos, de forma geral, da maneira com que fazem política, não nos atrai.
 
No Brasil, mentir e enganar eleitores dá voto. A maioria dos cidadãos não sabe analisar o que é verdade ou mentira eleitoral. Em nosso país eleitores se comportam como torcedores de futebol, afirmando que vota ‘naquele’ candidato independente de qualquer coisa. Assim, em campanha, candidatos se sentem à vontade para ‘mentir’, prometer etc., pois sabem que após as eleições não haverá consequências já que o eleitor se esquecerá de tudo. Na próxima vez, estará pronto para aceitar ‘novas mentiras’ sem questionar as anteriores que não foram realizadas. 
 
Campanhas mentirosas e populistas são comuns e, queremos deixar claro, são realizadas por todos os partidos, seja por candidato a prefeitos, governador e presidente. Para nós, analistas políticos, existe dois tipos de mentiras em campanhas políticas, aquelas que não trazem nenhuma consequência para os destinos dos governados; e aquelas que podem provocar estragos irreversíveis nos destinos do país afetando a vida dos cidadãos e de suas famílias, podendo se prolongar por longos anos. Infelizmente a classe política contrata seus ‘marqueteiros’ com dois valores: um para o caso de perder a eleição; outro para o caso de vitória. São pagos, inclusive, durante o exercício do mandato através de contratos com administrações indiretas (empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas e autarquias). Dessa forma, o profissional de marketing, não está nem aí para as consequências em relação à forma de campanha que pratica, pois o que importa é vencer de qualquer maneira! Com todo respeito a quem tem preferência partidária e é um “torcedor fanático”, assim como ocorreu em outras eleições — a exemplo da de Fernando Henrique Cardoso em 1998, quando a dívida pública explodiu e o ex-presidente apenas ‘maquiava’ a economia pensando em sua reeleição (a propósito, escrevemos artigo naquela eleição repudiando reeleição a qualquer custo) —, a verdade é que estamos diante de um novo estelionato eleitoral. Vejamos: a candidata Dilma afirmava que ‘aumentar juros era tirar a comida da mesa dos pobres’. Dias depois de eleita a presidente, através do Banco Central, aumentou a taxa de juros. Dizia que ‘o país estava crescendo, mesmo com a crise internacional’. Agora, mesmo tentando manipular dados, teve que admitir que em Setembro ocorreu o pior resultado da balança comercial em décadas. Também dizia que a inflação estava sob controle, e que comentários contrários eram de quem queria o pior, mas, passadas as eleições, admitiu que há e que é precisa controlá-la. Afirmou, ainda, que não haveria aumento de tarifas, e que o preço dos combustíveis estava equilibrado. Disparou reajustes logo após ser proclamada vencedora. 
 
É óbvio que não há espaço para citarmos todos os estelionatos eleitorais praticados, porém para nãos sermos mal interpretados, vamos citar Alckmin, candidato à reeleição no Estado de São Paulo. Antes das urnas, dizia que não existia e não haveria falta d’água em São Paulo. Diretores da Sabesp que, comumente, davam entrevistas, foram proibidos de atender a imprensa. Gostaríamos que todos os eleitores guardassem folhetos com promessas de campanha para, daqui quatro anos, pudessem  analisar, do que foi prometido, o que foi realizado, e deixassem de ser ‘massa de manobra’ facilmente manipulável em razão de suas ‘torcidas’ pelas cores partidárias, como os marqueteiros os chamam. 
 
Toninho Menezes
advogada, professor universitário - toninhomeneze@netsite.com.br
 
 

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