Povo de Deus e a santidade


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O palácio do Latrão da família imperial, tornou-se no século IV, habitação do papa. A basílica adjacente, dedicada ao Divino Salvador, foi a primeira catedral do mundo: aí se celebravam os batismos na noite de Páscoa. Mais tarde dedicada aos dois santos João, Batista e Evangelista, foi considerada a igreja-mãe de Roma, e nela se realizaram os cinco grandes Concílios Ecumênicos. 
 
Primeira Leitura — Ezequiel 47: O profeta Ezequiel, sacerdote exilado em Babilônia com parte do seu povo, anuncia sentenças de Deus. Com linguagem simbólica, indica os passos para a construção do mundo novo. O tema passa pelas palavras templo e água. Guiado por estranho cicerone, Ezequiel percebe que sai água do templo em direção ao oriente. O volume cresce sempre mais, até superar o do rio Jordão. 
 
Trata-se de água fecunda, portadora de vida, e sai do templo onde mora Deus. É, então, mensageira de vida do Deus da vida que habita no meio do povo. O mar Morto chama-se assim porque, apesar de receber todo a água doce do rio Jordão, não tem vida nem vazão. É símbolo de ausência de vida, sinônimo de morte. Mas com a água que sai do templo, torna-se fecundo. O Novo Testamento apropriou-se dessa imagem em várias ocasiões. As mais significativas estão na literatura joanina: a água que jorra do lado aberto de Jesus e a descrição da nova Jerusalém. 
 
Segunda Leitura — 1º Coríntios 3: Os familiares de Cloé disseram a Paulo que em Corinto surgiram ‘panelinhas’ em torno dos evangelizadores que lá passaram: Paulo, Apolo, Cefas... Paulo alivia a tensão comunitária. Mostra que Cristo é o centro da comunidade e sua razão de ser, ao passo que agentes de pastoral não o são. Corinto era uma metrópole — perto de 500 mil habitantes. Os cristãos, talvez, umas cem pessoas. 
 
Deus escolheu o que é loucura no mundo para confundir os sábios; e escolheu a fraqueza do mundo para confundir o que é forte. O templo de Deus, na grande cidade, é um punhado de gente pobre, considerado loucura, fraqueza, que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor.  E Paulo acrescenta: “ Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo, e esse templo são vocês
 
Evangelho — João 2: Na festa da Páscoa, Jerusalém se enchia de peregrinos. O judeus recordavam, na festa, a libertação da escravidão do Egito. O povo ia, então, celebrar a libertação, mas, o que encontrava era exploração. Jesus não concorda com isso. João conta sobre Jesus usando um chicote. 
 
Três semanas antes da Páscoa os arredores do templo se tornavam grande mercado. O sumo sacerdote enriquecia com aluguel de espaço para barracas de vendedores e cambistas. Todo judeu maior de idade devia ir à festa e pagar impostos ao templo. Jesus expulsou do templo bois, ovelhas, pombas, animais usados em sacrifícios oferecidos a Deus. Expulsando declarou inválidos esses sacrifícios, bem como cultos que se sustentam graças à exploração.
 
Deus, o aliado dos sofredores empobrecidos, sempre denunciou, pelos profetas, a exploração da religião. É o Deus que ouve o clamor dos marginalizados mas a teologia daquela Jerusalém afirmava o contrário. Para ser ouvido Deus tinha que ser comprado por sacrifícios. João afirma que os discípulos, após a ressurreição de Jesus, redimensionam seus conceitos. Jesus não é reformador do templo, mas aquele que, em seu corpo, o substitui. Jesus não só aboliu sacrifícios do templo. Decretou seu fim. É através do seu corpo, morto e ressuscitado que o povo se encontra com Deus para celebrar a Páscoa da libertação.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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