Saudade


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A Igreja celebra o dia dos Fiéis Defuntos, ou dia de Finados, imediatamente após o dia de Todos os Santos. Ambas as celebrações estão intimamente ligadas, uma vez que lembramos a memória dos que já se encontram na pátria celeste. Veneramos os santos reconhecidos oficialmente pela Igreja e pedimos suas intercessões. No entanto, todos os que estão juntos de Deus são também santos. Muitos deles foram nossos parentes, amigos ou conhecidos. Lembramo-nos deles e também de todas as pessoas que faleceram. Desde os primeiros séculos, os cristãos rezam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires e recordando seus testemunhos de fé e amor. A partir do século V, a Igreja passou a dedicar um dia do ano para rezar por todas as pessoas falecidas e, também, por aquelas das quais ninguém lembra. É um dia que evoca saudade, esperança e compromisso. Saudade daqueles que partiram e marcaram, de uma maneira ou de outra, a vida de todos nós que ainda peregrinamos neste mundo. Esperança porque nos foi revelado que a morte não tem a última palavra, é passagem para a vida em plenitude. Compromisso porque queremos que nosso tempo histórico seja vivido de acordo com o que nos exorta a palavra de Deus. 
 
Primeira Leitura — Jó 19: O livro de Jó reflete sobre a questão do sofrimento das pessoas justas, retratadas na figura de Jó. Em situação calamitosa, abandonado por todos, Jó recebe a visita de três ‘amigos’ e procuram convencê-lo de que o sofrimento se deve aos pecados que certamente cometera. Jó está convencido de sua inocência. Debate com os amigos até dar-se conta de que está realmente sozinho em suas convicções. A certeza de intervenção divina em favor da vida das pessoas justas é ressaltada nesse texto. Deus se interessa pela vida pessoal de cada um de seus filhos. Ele nos ama, nos liberta e nos salva. 
 
Segunda Leitura — Romanos 5: Paulo refere-se à justificação pela fé, o dom gratuito da salvação que Deus nos concede por meio de Jesus Cristo. Somos todos pecadores. Eis em que consiste o amor divino: Cristo morreu por nós, pessoas fracas, injustas e infiéis. Pela morte expiatória de Jesus revela-se o rosto misericordioso de Deus. Ele não leva em conta nossa condição de pecadores. Seu amor não é baseado em nossos méritos. Por meio de Jesus, fomos reconciliados com Deus e, pela fé, vivemos em paz com ele. Nessa certeza, a caminhada nesta vida terrena é marcada pela ‘esperança que não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 
 
Evangelho — Jo 6: O capítulo 6 do Evangelho de João apresenta o ensinamento de Jesus sobre o pão da vida. Ele se dirige à multidão perto do mar da Galileia. Chama-lhes a atenção para que não se ocupem somente com o alimento que perece, e sim com o pão da vida, o alimento que dura para a vida eterna. O pão da vida é o próprio Jesus, que livremente se doa como alimento. Jesus é o verdadeiro maná descido do céu como eterno alimento para todos os que nele creem.Toda pessoa que, pela fé, acolhe Jesus e dele se alimenta já possui a vida eterna. 
A fé é a configuração da nossa vida na vida de Jesus. Assim, todo aquele que vive em Jesus não perecerá. A fé nos possibilita ver Jesus, penetrar no seu mistério e inundar todo o nosso ser pelo dom da verdadeira vida. A comunidade joanina confessa que Jesus veio ao mundo para que todos tenham vida e vida em plenitude. Esta é também a nossa confissão de fé: ele é o doador da vida plena já para este mundo e para a eternidade. Ele mostrou o caminho da justiça e da fraternidade a este mundo e venceu a morte pela sua ressurreição. Ele não exclui ninguém. Nele já ressuscitamos para a vida. A morte não tem a última palavra.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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