A história das nações é antes de tudo, a história de seus políticos. São eles que carregam nas mãos o sentimento do povo, sua representação e liderança.
Antigo texto teológicos, atribuído a Hermes Trimegisto, diz que o verdadeiro milagre é o homem. E o homem, na visão de Aristóteles, é um animal político. ‘Retire-se do homem a política e ele voltará a condição primitiva: sem palavras, sem capacidade criadora, exposto a todos os perigos, igual aos outros animais que vivem em bandos reduzidos, e com ele disputando os recursos elementares da vida, perdendo a capacidade do convívio enriquecedor que é o de viver em sociedade.’
O cônsul italiano Maquiavel acreditava que a sutil combinação entre a demonstração da força e a astúcia é que marcava a vida dos grandes príncipes. Por essa trilha, muitos autores imputaram a Maquiavel a noção que o critério para julgar uma decisão política é simplesmente o seu resultado ou a conquista do objetivo a partir da habilidade. O mundo da moral e o mundo da política estariam em dimensões distintas.
Dentre as muitas lições que saíram das urnas, a primeira que está a exigir modificações é a referente a pesquisas eleitorais, que deveriam ser vistas como referências e não como verdades absolutas. Num país como o nosso, onde a maioria da população ainda carece de cultura política e cidadania, acreditamos que a divulgação de pesquisas eleitorais deveria ser proibida no mínimo um mês antes das eleições, pois, queiram ou não, acabam por influenciar eleitores que ‘não gostam de perder eleição’. A segunda é a política do ‘terrorismo’ que utiliza do medo de boa parte da população analfabeta eleitoral, carente e dependente das tais ‘bolsas compra votos’ (bolsa família, bolsa escola etc.), cidadãos que, infelizmente, não conseguem vislumbrar o perigo da perpetuação no poder.
Os números finais demonstram que o Brasil está dividido, não por questões impostas pela nação brasileira, mas sim por divisão criada pela forma de se fazer política, sem analisar consequências da reeleição só pela reeleição. A propósito, já se iniciou a exigência real — não somente de promessas eleitorais — da discussão do pacto federativo brasileiro. Não é mais possível que continue a centralização de todo o poder arrecadatório e decisivo no governo federal (União) enquanto os outros entes estatais (Estados-membros e municípios) continuem apenas como coadjuvantes e dependentes das ‘migalhas’ que retornam para suas várias obrigações em prestações de serviços a população.
Estamos diante de um país que nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste querem mudanças, que não aceitam mais pessoas que pretendem se perpetuar no poder impondo ideologia e regime incompatíveis com as aspirações e tradições brasileiras; o aparelhamento do Estado; a compra de parlamentares; o sucateamento das Forças Armadas; o silêncio complacente das instituições; políticos que perderam a hombridade e se quedam em covarde passividade diante de descalabros; manipulação de dados com o intuito de esconder a verdade da população brasileira; cidadãos compactuar que empréstimos secretos sejam feitos a ditaduras; que dívidas de países governados por ditadores sejam perdoadas sem que a opinião pública brasileira seja consultada; que ministérios inúteis sejam criados para acomodar ‘companheiros’, satisfazer acordos políticos etc.
Por outro lado temos as regiões Norte e Nordeste, que optaram pela política social do atual governo — várias realmente relevantes — mas que deixa a desejar em outras áreas carentes, acreditam serem os donos da verdade, não aceitam opiniões contrárias e consideram quem faz crítica construtiva, inimigos. As eleições de 2014 reavivaram movimentos separatistas até então adormecidos. Os políticos conseguiram criar guerra entre brasileiros e brasileiros. Que a gerenciem com sabedoria, para evitar-se o pior!
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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