O cristão e o Estado


| Tempo de leitura: 3 min
Neste domingo que antecede o segundo turno das eleições presidenciais, Deus nos ilumina com orientações que devem nos ajudar a corresponder sempre mais com nossa vida cristã e civil. Aprendamos com a Palavra de Deus: Isaias 45 (Primeira Leitura), 1ª Tessalonicenses 1 (Segunda Leitura), Mateus 22 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Isaias 45: Passaram-se anos desde que israelitas foram levados como escravos à Babilônia. Um dia aparece profeta anunciando conforto e esperança. A grande Babilônia domina o mundo mas desponta um novo astro: Ciro, o rei dos persas. Quando chega, recebido como vencedor, emana decreto e se apresenta como salvador, libertador dos oprimidos, defensor dos fracos, piedoso e submisso à vontade de Deus. Diz o profeta que Ciro realiza projeto do Senhor. Deus o tomou pela mão e o acompanha. Ninguém pode opor-lhe. Na segunda parte, chama-se Ciro de ‘pastor’, ‘amado por Deus’, ‘ungido’ — ‘messias’. 
A leitura ensina a cultivar sensibilidade espiritual intensa. Só assim se pode discernir o amor do Pai nas horas alegres ou amargas. O segundo ensinamento é que Deus pode se servir de qualquer homem ou acontecimento para realizar seus projetos. No campo político, a exemplo, não interessa a fé professada pelos dirigentes da nação. O que se exige é que sejam inteligentes, sábios, que se comportem com justiça e lealdade com capacidade para criar condições de bem-estar, e de manter a paz entre os súditos. Se assim forem, serão instrumentos na mão de Deus e serão, por ele, protegidos, como aconteceu com Ciro.
 
Segunda Leitura — 1ª Tessalonicenses 1: Tessalônica era rica cidade mercantil. Era ‘populosa’, despreocupada e aberta a novidades boas ou ruins. Sede de porto, não era modelo de moralidade. 
Paulo chega 20 anos depois da morte de Jesus. Prega o evangelho e funda comunidade. Permanece pouco tempo e não tem tempo para comunicar aos recém-batizados a instrução necessária sobre temas fundamentais da fé. Vai. 
Um dia, chega de Tessalônica o amigo e companheiro de lides apostólicas, Timóteo e lhe dá boas notícias. Paulo, então, confessa a alegria que experimenta cada vez que ora pelos cristãos de Tessalônica. Sabe que, de fato, a comunidade se alicerçou na fé, esperança e caridade. No progresso espiritual da comunidade de Tessalônica vislumbra a obra de Deus e o poder de seu Espírito.
 
Evangelho — Mateus 22: O homem não vive sozinho. Com outros, deve estabelecer relações de amizade e colaboração. O que se pergunta é: religião tem a ver com organização social e política? A resposta está neste Evangelho. Fariseus, acompanhados por simpatizantes do rei Herodes, se apresentam a Jesus e, depois de ter reconhecido sua lealdade, fazem pergunta provocadora: ‘é permitido ou não pagar imposto a César?’ Seja qual for a resposta, há riscos. Jesus se dá conta da armadilha. Pede uma moeda corrente. A observa e devolve a pergunta: ‘De quem é esta imagem?’ ‘De César’, lhe respondem. Aí, conclui: ‘Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’.
Fé não pode ser vivida de forma desligada do mundo, não pode ser praticada no quarto, na igreja durante quarenta e cinco minutos por semana. Religião condiciona escolhas do homem e as horas de sua vida, portanto, não deixa de influir sobre opções políticas e cumprimento de deveres de cidadão. 
As palavras de Jesus são chamado para o cristão de hoje. Convocam para estar atento, vigiar o comportamento das autoridade, a estar de prontidão para contestar e colocar em discussão qualquer um que não respeite a imagem de Deus, impressa no rosto de cada pessoa. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários