Viva a Mãe de Deus e nossa, a Senhora Aparecida! É assim que os brasileiros cantam para a padroeira do Brasil e pedem suas bênçãos — Dai-nos a bênção, ó Mãe querida, Nossa Senhora Aparecida. Por meio da padroeira do Brasil, Deus nos fala através da sua Palavra. As leituras sagradas reservadas para hoje são Ester 5 (Primeira Leitura), Apocalipse 12 (Segunda Leitura), João 2 (Evangelho)
Primeira Leitura — Ester 5: O livro de Ester narra história profana do tempo em que judeus estavam sob o domínio do rei persa Assuero, ou Xerxes. O texto mostra Ester no esplendor de seus trajes reais após ter sido decretado o extermínio dos judeus. A confiança em Deus e a beleza física são as armas com as quais tenta anular a sentença fatal de extermínio contra o povo ao qual pertence. Reconhece que o rei tem todo o poder, mas confia. Ele lhe pergunta: ‘Qual é o seu pedido? Darei a você até a metade do meu reino’. O pedido supera a expectativa dele: ‘Se o senhor quiser fazer-me um favor, meu pedido é que me conceda a vida e meu desejo é a vida do meu povo’. A história mostra que Deus, embora pareça distante, salva o povo por meio dos fracos e impotentes.
Segunda Leitura — Apocalipse 12: O autor apresenta dois sinais que devem ser interpretados. O primeiro aparece no céu, ambiente próprio de Deus. Trata-se de uma mulher, uma esposa-mãe. Veste o sol, tem a lua sob os pés e sobre a cabeça, coroa de doze estrelas. O segundo sinal é o dragão, força de morte. Está diante da Mulher para lhe devorar o filho tão logo nasça. As comunidades devem interpretar o sinal: representa as forças opressoras e de morte que se encarnam em pessoas e arranjos sociais, dificultando o testemunho das comunidades proféticas e procurando devorar seus frutos. Essas forças de morte perseguem a Mulher. O dragão parece ser bem sucedido, mas o resultado é favorável à Mulher, pois Deus é seu aliado. Dá-lhe asas para escapar do perigo e ela se refugia no deserto. Lá é alimentada por Deus, como Israel também o fora.
Evangelho — João 2: No episódio das bodas de Caná, João afirma que Jesus é o novo e verdadeiro esposo da humanidade, único capaz de trazer vinho novo. O vinho é símbolo do amor e sua abundância se associa à vinda do Messias. A mãe de Jesus estava no casamento. O vinho, sinal da alegria e amor conjugal, falta. A intervenção da mãe de Jesus tem dois aspectos: mostra a Jesus que ‘eles não têm mais vinho’ e dá ordem aos serventes: ‘façam tudo o que ele mandar’. Personifica os que conservaram a fidelidade a Deus e esperança em suas promessas. Ela constata que os que não aderem a Jesus ‘não têm mais vinho’. Para superar é preciso aceitar Jesus como Messias, o esposo da comunidade e da humanidade. Jesus manda encher as talhas com água. Assim, oferece a nova ‘purificação’ que não depende da Lei. A segunda ordem de Jesus: ‘Tirem e levem ao mestre-sala’, o que confere sentido e valor ao casamento, ao relacionamento entre Deus e a humanidade. O mestre-sala é símbolo dos que não reconhecem o dom messiânico que Deus faz em Jesus. Prova o vinho, constata novidade radical mas atribui o fato ao noivo: ‘Você guardou o vinho bom até agora’. Não reconhece que, no projeto de Deus, o melhor vem depois, isto é, com Jesus. O episódio mostra também quem é a esposa do Messias-esposo: está representada na ‘mulher’, a mãe de Jesus, nos serventes que sabem de onde vem o vinho novo e que obedecem a Jesus, e nos discípulos que acreditam nele.
Aparecendo em 1717 a pobres pescadores que trabalhavam para fartar a mesa dos nobres, Nossa Senhora Aparecida assume, como seu Filho Jesus, a opção pelos pobres e marginalizados. Com ela identificam-se todos os que são oprimidos e postos à margem neste nosso país. Quis aparecer negra, identificando-se com os escravos de ontem e de hoje.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.