A vinha do Senhor


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Deus é bom conosco e nos trata com o carinho de alguém que dá valor ao que tem. Os textos sagrados reservados para este domingo são Isaías 5 (Primeira Leitura), Filipenses 4 (Segunda Leitura) e Mateus 21 (Evangelho). Vejamos o que Deus nos diz e nos ensina para nossa caminhada diária. 
 
PRIMEIRA LEITURA — ISAÍAS 5: Isaías conta a história de uma vinha. Por que o dono gosta dela tanto? Porque se trata de vinha especial, plantada com videiras escolhidas de cepas nobres, vigorosas, que importou do exterior. O lugar onde plantou é privilegiado. Não economizou nem trabalho nem recursos e sonha com a alegria dos primeiros cachos de uva. Passam-se dois anos, chega o tempo da primeira vindima e eis a decepção: o tão apreciado vinhedo produziu uva ácida, amarga, intragável.
O senhor é Deus; as videiras selecionadas são os israelitas que o Senhor foi buscar lá fora, no Egito; a terra fértil à qual este povo foi levado é a Palestina; as pedras que se encontravam no campo e foram removidas, eram povos que ocupavam a Palestina antes da chegada dos israelitas; a torre de proteção é a dinastia de Davi. Os frutos são as obras que Deus esperava encontrar no seu povo. 
O que, ao invés, recolheu? Pecados, infidelidade, mentiras nos tribunais, ódio. Na alegria da vinha contrapõem-se duas atitudes: a de Deus e a de Israel. Deus executa gestos de amor e o povo responde com manifestações superficiais de religiosidade. O castigo é o símbolo das invasões dos povos estrangeiros que destruíram a vinha do Senhor e deportaram israelitas para suas terras como escravos.
 
SEGUNDA LEITURA — FILIPENSES 4: Paulo afirma que nada pode destruir a paz e a alegria de um cristão, nada pode lhe causar angústia, se ele permanece unido a Deus na oração. 
Na segunda parte apresenta uma lista de virtudes humanas que os cristãos devem cultivar na própria vida; trata-se de qualidades e atitudes que no mundo inteiro são apreciadas e valorizadas. Tudo o que nos torna simpáticos, atraentes, amáveis, honrados, respeitados, deve ser cultivado por qualquer cristão. 
A recomendação de Paulo é muito importante porque existem cristãos que se julgam ‘santos’ que seguem todas as regras, até as mais minuciosas da religião, mas são antipáticos, intratáveis, resmungões.
 
EVANGELHO — MATEUS 21: Jesus se serve de comparação semelhante à da primeira leitura: fala de uma vinha. Essa vinha, no entanto, não é infecunda. Produz, dá frutos. Eis a parábola: um senhor planta a vinha, circunda-a com sebe, escava um lagar, constrói uma torre, a confia a vinhadeiros e parte. Chegando o tempo da vindima, manda servos buscar a colheita e os agricultores não a entregam. Tenta pela segunda vez: envia outros servos em maior número, e o resultado é o mesmo. Por fim, envia o próprio filho. Os trabalhadores o matam. Tudo é simbólico.
O dono é o Senhor que manifestou zelo e amor grande pela vinha. A vinha indica o povo de Deus. Os trabalhadores representam chefes, guias religiosos e políticos de Israel. Os frutos são obras de amor em favor do próximo, justiça social. Os dois grupos de enviados são os profetas que foram enviados por Deus. O tempo da vindima representa o tempo do juízo de Deus. 
A essência da parábola fala claramente da morte e ressurreição de Jesus. É o mesmo que os chefes de Israel fizeram com Jesus: julgam-no indigno de pertencer ao povo, excluem-no e o mandam matar fora da cidade. O resultado final da intervenção do patrão é a custódia da vinha por outros trabalhadores. A conclusão é positiva. A custódia da vinha por outros trabalhadores não é gesto de despeito ou de vingança por parte do senhor indignado. É obra de amor e de salvação que trará benefícios para todos.
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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