Voto consciente


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Nós que militamos na área pública é comum ouvirmos em períodos eleitorais, que ‘os políticos são iguais e que o voto é apenas obrigação’. Muitos eleitores não acreditam ser possível mudar a história do país e insistem na ideia de que a corrupção é inerente à política e não há nada que se possa fazer. Realmente está ruim, mas já foi pior. Décadas atrás não tínhamos sequer o direito da escolha. Obviamente nosso sistema político atual ainda não é o que almejamos para uma vida melhor em sociedade, mas se é o que temos, vamos exercê-lo da melhor maneira possível e continuar buscando incansavelmente uma verdadeira reforma política que possa direcionar nossas escolhas de modo a nos sentirmos efetivamente representados.
 
No próximo domingo, todos nós, cidadãos conscientes, temos que exercer nossa soberania não nos iludindo com falsas promessas impossíveis de serem realizadas, não nos induzindo pelo marketing de campanhas milionárias, por candidatos que são verdadeiros atores ou, por partidos que sequer sabemos de suas reais ideologias. Para modificar o pensamento dominante que citamos inicialmente, temos que analisar e aceitar que como em qualquer outra atividade profissional sempre há bons e maus profissionais. Da mesma forma ocorre com a classe política, pois os políticos não são todos iguais. Existem políticos corruptos, improbos e incompetentes, mas muitos são dedicados e procuram fazer bom trabalho no cargo que exercem. O grande problema está em como nós, cidadãos, podemos identificar o bom político. A maioria das pessoas não sabe como é o sistema eleitoral, como um candidato se sagra vencedor, como consegue financiar sua campanha. As aulas de cidadania foram sumariamente retiradas dos currículos escolares, surpreendentemente pelos governantes pós ditadura militar. Assim, infelizmente, são poucos os que conhecem o sistema político eleitoral para formar opinião quanto aos votos que depositarão na urna eleitoral.
 
Apesar de muitos não gostarem, sempre frisamos que é importante assistir ao horário eleitoral. Nele, os candidatos apresentam suas propostas para o futuro governo. Sempre que possível, é importante ouvir o que os candidatos têm a dizer, o que defendem. Dessa forma é que podemos analisar se o candidato aproveita o tempo para apresentar projetos plausíveis, de onde sairão os recursos para implementação do projeto ou se apenas ataca os adversários. Igualmente o eleitor não pode se deixar levar pela apresentação visual do horário do candidato. É preciso saber que a qualidade do programa depende de dinheiro recebido como ‘doação’, e, por vezes, doadores cobram do candidato depois de eleito. Propostas são o que realmente importa. 
 
Para que o eleitor forme essa consciência deve conhecer o funcionamento do processo eleitoral, entender o sistema pelo qual os candidatos são eleitos, perceber o que é legítimo e o  que ofende a moralidade da disputa eleitoral. Igualmente é muito importante que o eleitor busque informações a respeito da ideologia do partido político ao qual seu candidato está filiado, visto que os propósitos daquele partido político estão ligados ao que o candidato escolhido realizará se for eleito.
 
Enfim, todo cidadão deve ter consciência de que os dias destinados às eleições representam um dos poucos momentos da vida em sociedade em que todos se igualam , pois não há diferença de raça, sexo, condição financeira, classe ou grupo social. Cada cada voto tem o mesmo valor. 
 
Eleitor consciente é aquele que no pleno exercício da democracia, tem forte papel no destino do seu país, e o instrumento é o voto. O eleitor que exerce seu direito de voto a partir de análise criteriosa, madura e responsável, contribui em muito para impedir a eleição de maus políticos, e possibilita o alcance de maior legitimidade no processo eleitoral.
 
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
 

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