Berçário Dona Nina: ‘lar’ de amor e acolhimento


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Crianças são vistas em uma das alas da entidade, que conta com equipe multiprofissional
Crianças são vistas em uma das alas da entidade, que conta com equipe multiprofissional
Uma mulher simples que resolveu abrigar crianças carentes e adoecidas dentro de sua própria casa. Foi assim que Eulina da Silveira Borissi, a Dona Nina, começou seu trabalho de ajuda e amor ao próximo. “Dona Nina vivia numa casa pequena e pegava crianças para dar sopa e tratamento, ficava com elas por um tempo e depois devolvia para a família”, relembrou José Márcio Alves, membro da diretoria do Berçário Dona Nina, que nasceu a partir do trabalho dela. 
 
Construir um local para acolher mais crianças sempre foi seu sonho. Com o passar do tempo, outras pessoas se juntaram à causa, até que em 1986 o Berçário Dona Nina foi fundado. A entidade que acolhe crianças por tempo determinado é um dos departamentos da Sociedade Espírita Legionárias do Bem, uma entidade filantrópica criada em 1965 por Dona Nina e amigas. Outros departamentos da Sociedade são a Casa da Sopa, o Centro Espírita e o Recanto Aconchego. 
 
Dona Nina viveu até 1996 e pode ver seu sonho realizado. Ela não teve filhos biológicos, mas considerava as crianças atendidas pelo berçário seus filhos. “Muitas crianças vinham tomar sopa com a Dona Nina e hoje são voluntárias aqui”, conta Elisa Aparecida de Paula Faria, responsável da administração do Berçário, que fica na Vila Santa Helena. 
 
A entidade trabalha como um mini-hospital. Atende gratuitamente 35 crianças de zero a 4 anos e 11 meses em tratamento de saúde ou que estão em situação de risco social. O local funciona 24 horas, de segunda a sexta-feira, e acolhe crianças que permanecem durante toda semana e outras que são atendidas em regime de creche. A capacidade, após uma ampliação, passou para 40 crianças. “Os casos mais comuns são de crianças abaixo do peso, com problemas respiratórios e cardíacos mais sérios, que nos são encaminhadas através do médico e também por indicação do Conselho Tutelar”, disse Elisa. Também existe um trabalho de amparo aos pais com capacitação profissional por meio de cursos que contribuem para uma geração de renda.
 
Apoio incondicional
Rosinha Aylon é diretora do Berçário Dona Nina, onde atua há 22 anos. Além de ter conhecido muitos casos emocionantes durante seu trabalho na instituição, ela vivenciou uma experiência pessoal marcante. “Criei como filha uma menina linda, era uma menina de rua da qual eu consegui a guarda e ela veio para minha casa com nove anos. Quando fez 15 anos, ela dizia que queria liberdade e retornou para sua cidade.Hoje, sei que ela tem cinco filhos e é avó.”
 
Rosinha disse que a reencontrou no Recanto do Aconchego, com 38 anos e ela pediu perdão por ter ido embora. “Eu disse que não precisava pedir desculpa e que ela tratou os filhos dela como eu a criei, com disciplina. Todos estavam bem e estudando.” 
 
O motivo dela estar no Recanto era para ficar com a guarda dos sobrinhos, que tinham sido recolhidos para a instituição após uma denúncia de maus-tratos. “O melhor para nós é vermos as crianças que cuidamos recuperadas e suas famílias bem”, disse a diretora, emocionada.
 
Voluntários
Para que tudo funcione bem, 26 funcionários contratados e cerca de cem voluntários se dedicam à entidade. A equipe é formada por babás, enfermeiras, dentistas, médicos, psicólogos e terapeutas e a estrutura é mantida pela entidade, que sobrevive com a realização de promoções, bazares e recebe pequeno repasse do poder público.
 
Nilva Borges, 57, é uma das pessoas que atuam como voluntárias no berçário há dez anos. Ela trabalha no setor de costura. “Não sou costureira, sou professora aposentada. Entrei por convite da Rosinha e chamei uma amiga minha e assim a família Dona Nina vai crescendo. Desenvolvi essa habilidade para ajudar no bazar de artesanatos, realizado uma vez por ano.” 
 
A família de Nilva seguiu o caminho de doação ao próximo. O marido faz serviços de manutenção no berçário e a filha ajuda a cuidar das crianças uma vez por semana. “Quando você realiza um trabalho voluntário você está se ajudando, é terapia”, disse Nilva.
 

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