O sim que agrada a Deus


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Com a graça de Deus estamos vivendo mais um domingo e a nossa vida deve ser iluminada pelos ensinamentos divinos. Vejamos o que o Senhor quer nos falar através da Leituras Sagradas reservadas para hoje: Ezequiel 18 (Primeira Leitura), Filipenses 2 (Segunda Leitura), Mateus 21 (Evangelho).
 
Primeira leitura — Ezequiel 18: O profeta está no exílio e com ele vivem israelitas. O que falam entre eles? Falam de suas famílias, suas casas, lavouras, da terra distante. Perguntam-se sobre razões da calamidade. Quem é o culpado pelas nossas desgraças? Eles próprios respondem: a culpa é dos pecados dos nossos pais. 
Ezequiel intervém para condenar esse modo de pensar. Diz que cada um é responsável por suas próprias ações. Os últimos versículos colocam outra verdade: se o justo pára de fazer o bem e pratica o mal, perece. Se o pecador se afasta de suas faltas e pratica a verdade e a justiça, se salva. Termina com mensagem confortante: é verdade que nossa vida, com frequência, fica condicionada por escolhas erradas, mas é possível livrar-se desta pesada herança. 
 
Segunda leitura — Filipenses 2: A comunidade de Filipos era excelente e Paulo se orgulhava disso. Entretanto, havia inveja. Com delicadeza para não magoar, Paulo diz que ‘nada deveis fazer por espírito de egoísmo ou para mostrar superioridade; mas cada um, com humildade, considere os outros superiores a si, não procure o próprio interesse, mas o dos outros’. Então, conta a história de Jesus. ‘Ele, o Filho de Deus, já existia antes de se encarnar. Quando se fez um de nós, como que se despojou de sua grandeza divina e apareceu na baixeza e 
na fraqueza do homem, do mais desprezado, do escravo, daquele para quem os romanos reservaram a morte de cruz’. Este caminho da humilhação conduziu o Cristo à glorificação. A ele foi dado o domínio sobre toda a criação, é em vista dele que tudo foi feito. 
 
Evangelho — Mateus 2: Jesus quer que deixemos de pensar num Deus que pensa como nós. Conta então sobre um pai e dois filhos. O pai manda os filhos trabalharem na vinha. O primeiro responde com entusiasmo:; ‘Vou correndo!’. O segundo resmunga: ‘Não tenho vontade’. O primeiro filho é Israel que ouviu a palavra do Senhor, respondeu ao chamado e fez com ele uma aliança. O segundo representa os pagãos. O Mestre continua: o primeiro filho era muito forte... de papo. Disse ‘Sim’, mas nada fez. O segundo pensou, arrependeu-se da resposta dada ao pai, e foi trabalhar.
Já se passaram quase 50 anos da morte e ressurreição de Jesus, e a profecia de Cristo já tinha se realizado: as comunidades cristãs são formadas por pagãos (publicanos e prostitutas) que se tinham comportado como o segundo filho, tinham dito ‘não’, mas foram os primeiros a trabalhar na vinha. 
Também em nossos dias Deus continua tendo dois filhos: alguns, no Batismo, dizem ‘sim’, mas na vida concreta transformam em ‘não’. Por outro lado há pessoas que nunca disseram ‘sim’ explícito a Deus, mas na prática de cada dia amam o irmão, se sacrificam pelos outros, executam obras de caridade. Ainda que não batizados, são verdadeiros filhos de Deus.
Aqui, o trecho se entrelaça ao do domingo passado. O ‘justo’ se considera protegido por obras e práticas religiosas que cumpre com fidelidade. O primeiro filho (Israel) oferece sacrifícios, celebra liturgias, recita orações, mas é isto que o Pai pediu? O segundo filho (os pagãos), ao contrário, tem consciência de seu distanciamento de Deus, não tem ilusão de cumprir sua vontade, está consciente de ter dito ‘não’. Não tenta nem ao menos enganar a si mesmo cumprindo preceitos dos homens. Sua consciência de ser pobre, fraco, frágil, produz predisposição para receber o dom de Deus. Em seguida, o outro irmão seguirá o mesmo caminho. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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