Este domingo tem o poder de iluminar nossa vida com preciosos ensinamentos sobre o modo como Deus trata as pessoas. Deus não precisa lucrar nada. Deus se doa totalmente. Deixemo-nos iluminar pela sua palavra. As palavras contidas nesta primeira leitura (Isais 55) são dirigidas pelo profeta aos seus compatriotas exilados na Babilônia. Eles sabem muito bem o motivo pelo qual se encontram a palavra dos profetas. E agora o que esperam para o seu futuro? Nada; têm certeza que Deus nunca mais poderá perdoar os graves pecados que cometeram. O erro deles consiste em imaginar um Deus à sua própria imagem e semelhança. Ele porém, é Deus, não é um homem. O seu modo de pensar e de agir não deixará jamais de surpreender. Na leitura de hoje o profeta diz aos israelitas exilados na Babilônia e a todos os que continuam pensando como eles: Convertei-vos, mudai a vossa forma de pensar!
A conversão que ele pede é a mudança radical no modo de formar o conceito de Deus. Logo em seguida o próprio Senhor toma a palavra e explica o motivo pelo qual ele se comporta de forma inesperada com aqueles que erraram: “É que os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, os vossos caminhos são diferentes dos meus. Tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e os meus pensamentos ultrapassam os vossos”.
Segunda leitura - Filipenses1: Tendo encerrado no domingo passado a Carta aos Romanos, teremos, durante quatro domingos, como segunda leitura a Carta aos Filipenses. A comunidade de Filipos fora fundada por Paulo e era composta por pessoas muito boas e generosas. Quando escreve sua carta, Paulo se encontra em Éfeso, na prisão, por causa do Evangelho. Os filipenses tomaram conhecimento das suas agruras, pedem a um homem generoso da comunidade, chamado Epafrodito, que vá visitá-lo, para levar-lhe algum alimento, alguma roupa e um pouco de dinheiro. Paulo, ao ver seu amigo chegando com todos aqueles presentes, fica comovido pelo apreço e amizade demonstrados pelos cristãos de Filipos. A Carta aos Filipenses revela as emoções mais íntimas, mais doces, mais ternas do coração de Paulo. Deseja morrer para estar sempre com Cristo, mas este desejo contraria um outro: gostaria também de continuar trabalhando para a difusão do Evangelho e para consolidar as comunidades que fundou. Então, num gesto de grande generosidade, se declara disposto a adiar por um pouco de tempo o seu encontro com Cristo para continuar servindo os irmãos. A famosa frase: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer um lucro” resume muito bem os sentimentos de Paulo, por isso foi colocada no seu túmulo em Roma.
Evangelho - Mateus 20: A parábola quer eliminar definitivamente da mente dos homens esta forma de relacionamento com Deus. Ele nunca se cansa de sair ao encontro do homem, mesmo quando este falha em todos os encontros. E mais: ele não remunera pelos méritos próprios. Ninguém poderá julgar-se credor dele. A única atitude que deve ser tomada, diante do Pai que está nos céus, é aquela da criança que não se prevalece de nenhum direito, não merece nada, tem sempre os olhos voltados para o pai, esperando alegremente pelos seus presentes. A primeira leitura dizia que “como o céu está longe da terra, da mesma forma o modo de pensar de Deus supera o nosso” e pedia para corrigir o nosso modo de pensar, não pretendendo mudar o de Deus. Quando, finalmente, tomaremos a decisão de abandonar a imagem de um deus “sócio nos negócios”, “contador” ou “patrão que paga conforme os merecimentos”? Quando vamos parar de considerar a religião como um comércio com Deus? Nós não podemos merecer nada diante de Deus, dele somente podemos receber dons e agradecer...
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral e vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br
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