Os três vídeos divulgados pelo grupo que se autonomeia ‘Estado Islâmico’, onde sequestrados são covardemente decapitados, fez com que o mundo repensasse a questão no Oriente que tomou contornos inadmissíveis. Bem a propósito muitos outros dos sequestrados devem ter sido mortos por não aceitarem a imposição de ficarem de joelhos e lerem textos escritos por seus algozes, principalmente os de formação militar, eles que, sabendo que iriam morrer de qualquer forma preferiram não se sujeitar às imposições do carrasco.
Muitos acreditaram que a guerra entre norte-amercianos e o Islã estaria finalizada com a morte do terrorista Osama Bin Laden. Ledo engano! Com a morte de Bin Laden e a decadência gradual da Al-Qaeda, deu-se o início de novo processo de recrutamento com utilização de jovens de passado criminoso e convertidos ao Islã. Isso está impressionando não só os europeus como todo o mundo. Na época em que a facção Al-Qaeda era liderada por Bin Laden e Al-Zarqawi, os mesmos diziam que ‘não devemos usar essa gente porque não são seguros, não têm o engajamento religioso que nós temos, não têm o mesmo objetivo. Se os aceitarmos, eles vão mudar a natureza de nossa organização’. As afirmações são ratificadas por estudiosos. Assim, a perda do comando eminentemente religioso fez com que surgisse o grupo ‘Estado Islâmico’ que aponta para uma nova tendência: substituição do terrorismo puro e simples pelo formato de guerrilha, com recrutamento de jovens europeus.
O grupo surgiu exatamente em razão do governo americano não ter a percepção do que estava ocorrendo no Iraque, Em 2011 a Al-Qaeda do Iraque recebeu apoio financeiro (principalmente do ocidente) para entrar na guerra civil na Síria ao lado de rebeldes contra Bashar al-Assad. Porém, naquele mesmo ano, pressionados pela crise econômica e a necessidade de cortes de despesas os EUA retiraram suas tropas do Iraque, facilitando a criação desse chamado “Estado Islâmico”. Assim, ps líderes que defendiam a ‘importação’ de delinquentes internacionais sempre barrados por Osama Bin Laden ficaram à vontade para realizarem seus propósitos.
É importante ressaltar que inicialmente o grupo recebia aporte financeiro de países ocidentais. Atualmente sobrevive financeiramente e se tornou auto-suficiente controlando grande parte do Iraque (está 40% dos 170 mil quilômetros quadrados iraquiano) e da Síria (25% dos 45 mil quilômetros quadrados) o que facilita o contrabando de petróleo. Além de cobrar altos impostos nas áreas que domina, de roubo a bancos quando toma cidades, e cobrança de resgates por cidadãos de outros países, se autofinancia.
O grupo, em síntese, quer construir um Estado Islâmico sunita radical que controle, inicialmente, todo o território na Síria e no Iraque e posteriormente, caso não ocorra retaliação a altura dos países aliados, querem avançar sobre os territórios de países como a Jordânia e Arábia Saudita. Acreditamos que se houver uma coalizão entre os países europeus com os EUA, o grupo “Estado Islâmico” sofrerá grandes perdas. Diferentemente dos grupos terroristas, age e combate abertamente como se fosse um exército. Dessa forma facilita a localização de suas tropas e possíveis ataques aéreos. Isso não quer dizer, no enquanto, que futuramente, principalmente pela facilidade de entrada e saída dos ‘convertidos’ aos seus países de origem, onda de atentados terroristas não possa ressurgir. Já passou da hora de líderes mundiais aprenderem a lição de que não devem financiar e treinar grupos extremistas com o intuito de desestabilizar governos locais. Como sempre ocorre no futuro, ‘criador e criatura’ acabam se confrontando. Basta citar que Saddam Hussein e Bin Laden foram inicialmente financiados e treinados pelos americanos. Agora, e infelizmente para o mundo, a história se repete.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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