Exaltação da Santa Cruz


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Deus escolheu o caminho da cruz como forma para revelar seu amor e comunicar a vida. A cruz de Cristo é, portanto, o anúncio do projeto de Deus concretizado em Jesus de Nazaré. O que Deus quer comunicar? Vamos acompanhar, atentamente, as sagradas escrituras reservadas para hoje: Número 21 (Primeira Leitura), Filipenses 2 (Segunda Leitura), João 3 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Números 21: A serpente ocupava lugar de destaque nas religiões do antigo Oriente Médio. Era figura de altos teores simbólicos benéficos e maléficos, e era emblema divino. O povo que caminha para a Terra Prometida terá de contornar ameaça, mas o Egito era a morte. A saída dele, a vida.
O motivo da murmuração é evidente: deserto é lugar difícil de viver. Israel começa a desacreditar de Javé em conduzir o povo a bom termo, e a tentação de voltar, acomodando-se às estruturas opressoras do Egito põe em risco o caminho para a libertação. A situação se torna insuportável com o surgimento de serpentes que exercem função pedagógica, levando Israel ao arrependimento e suscitando a consciência de que só Javé pode libertar o povo da morte, conduzindo-o à vida. Por intercessão de Moisés, Javé toma a iniciativa de conceder vida. Foram assustados por pouco tempo, como correção, mas receberam sinal de salvação para lhes recordar o mandamento da Lei. 
 
Segunda leitura — Filipenses 2: Ao escrever aos filipenses, Paulo está preso em Òfeso, mas tem trunfo que lhe garantirá a liberdade: basta que prove ser cidadão romano. A decisão de fazer valer seus direitos provocou grande mal-estar em Òfeso e também em Filipos. Então, escreve aos filipenses. Para ele é vantagem morrer, mas opta pela libertação para continuar evangelizando. Por fim, convida a todos para que tenham as mesmas disposições de vida (sentimentos) que havia em Jesus Cristo.
Jesus não se apegou à sua igualdade com Deus. Tornou-se servo, semelhante aos homens, humilhou-se, fez-se obediente até a morte de cruz. Não havia outra forma de revelar o projeto de Deus a não ser esvaziando-se das realidades humanas, das quais, com dificuldade, abrimos mão. Desceu no poço mais profundo da miséria e solidão humanas. O preço da encarnação foi a cruz.
Deus exalta Jesus ressuscitando-o e colocando-o no posto mais elevado que possa existir. Jesus é o Senhor do universo e da história. Diante dele toda a criação se prostra em adoração. Evangelho é, portanto, anúncio daquele que se fez servo e obediente até a morte de cruz. Esse anúncio não acontece sem que as pessoas também se encarnem, apostando a vida, como fez Paulo. 
 
Evangelho — João 3: Os versículos pertencem a diálogo de Jesus com Nicodemos: o que é ser homem novo? Nicodemos tem de nascer de novo, e nascer do alto se quiser ser discípulo do Mestre Jesus. Enquanto permanecer agarrado à Lei e ao Sinédrio, não poderá ser considerado seguidor de Jesus. A primeira leitura mostrou Deus perdoando e devolvendo vida a seu povo. O evangelho de hoje vai além porque mostra não só o Deus que livra de perigo mortal, mas vence, inclusive, os limites próprios da condição humana, como a morte.
Deus ama a todos, sem distinção. Não ama somente um povo. Ele ama o mundo. A vida em plenitude se realizou na encarnação e morte de Jesus. 
O que a primeira leitura só insinuava, o evangelho dá pleno significado e realização: Deus não deseja que as pessoas se percam, nem sente satisfação em condenar alguém. O prazer de Deus é salvar a todos,  é desarmar a todos com a lógica irrefutável do amor. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br

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