A correção correta


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Cada domingo a Palavra de Deus traz vida para nosso fortalecimento espiritual. Hoje, a Palavra é rica e nos ajuda a ter um comportamento diferente em relação à correção fraterna. Vejamos as sagradas leituras reservadas para hoje: Ezequiel 33 (Primeira Leitura), Romanos 1 (Segunda Leitura) e Mateus 18 (Evangelho).. 
 
Primeira Leitura — Ezequiel 33: Sentinela é soldado que monta guarda, vigia para seu grupo não ser atacado de surpresa. A leitura de hoje compara a missão do profeta com a da sentinela. O profeta é um homem com sensibilidade aguda. É o primeiro que percebe os caminhos pelos quais o Senhor quer conduzir seu povo. É seu dever intervir, falar francamente, alertar quem corre o perigo de afastar-se de Deus. Se não cumprir este seu dever, é responsável pela ruína de seus irmãos. Todos somos profetas, sentinelas. Quem vê alguém comportando-se mal, não pode repetir a frase de Caim: ‘Por acaso sou eu o guarda do meu irmão?’
 
Segunda leitura — Romanos 1: Qual o problema que Paulo questiona? No capítulo 13 da Carta aos Romanos, fala de obrigações do cidadão em relação às autoridades do Estado. Assim como hoje, os primeiros cristãos se perguntavam se deveriam observar leis, pagar impostos, roubar do Estado, destruir patrimônio. Neste tempo reinava o imperador Nero, dado a excentricidades. Muitos estavam insatisfeitos. Entre os que pensavam em rebelião contra o Estado, há cristãos. Paulo expõe, então, princípio geral que ajuda na solução de problema moral. Quando não sabemos qual a melhor atitude a ser tomada, é preciso tomar por referência o mandamento do qual derivam todas as leis: ‘Ama o teu próximo como a ti mesmo’. Ao manter vivo o princípio do amor aos irmãos, fica fácil entender que leis do Estado, se justas e comprometidas com o bem comum, devem ser obedecidas. Se contrariam esse preceito fundamental, o cristão não somente tem o direito, mas também a obrigação de desobedecer. 
 
Evangelho — Mateus 18: Do Evangelho de Mateus são extraídos o trecho de hoje e o do próximo domingo, que servem para responder problemas internos das comunidades cristãs. Quem é o primeiro? E se um cristão se perde? Como corrigir quem erra? Quantas vezes se deve perdoar? O trecho enfrenta o problema da atitude a tomar em relação a quem erra: não se deve espalhar a notícia do erro. É difamação. Presta-se somente a humilhar quem errou, a irritá-lo, a provocar-lhe sofrimento inútil. Para o cristão a verdade não é o valor absoluto, mas o amor: A verdade nua e crua destrói a convivência e as boas relações. A difamação — ‘um golpe de língua quebra os ossos’ —, pode arruinar uma família, destruir um casamento. A verdade que não produz amor, mas provoca perturbação, gera discórdias, ódios e rancor, não deve ser dita. Não se deve, especialmente, dizer a verdade para aqueles que dela querem se servir para o mal. Analisemos, agora, o caminho que Jesus propõe para dizer a verdade a um irmão. Tem três etapas: a primeira, falar pessoalmente, de homem para homem, cara a cara. Não não há resultado, vai-se ao segundo passo: pedir ajuda a um ou a dois irmãos de sensibilidade e sabedoria da comunidade. A última etapa é o apelo à comunidade. Só pode acontecer nos casos nos quais a falta seja risco de inquietação para todos, especialmente aos mais fracos na fé. Se nem assim o errado quiser se corrigir, deve, então, ser considerado ‘como um pagão e como um publicano’. A última parte do Evangelho afirma que Deus não gosta das pessoas que pensam em si mesmas, que afirmam ‘devo salvar a minha alma’. São egoístas. Ele quer encontrar um povo, relacionar-se com quem vive em comunidade. 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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