Sempre ouvimos pregações de que o eleitor precisa valorizar seu voto, que antes de depositar na urna deve analisar muito bem os candidatos e seus posicionamentos difundidos durante a campanha eleitoral. Seria tarefa, até certo ponto, fácil para o eleitor, mas como querer obrigar um cidadão leigo, que desconhece os emaranhados e intrincados meandros de nosso sistema político, a que decida com convicção e sem nenhuma dúvida?
Em nosso país é muito difícil diferenciar propostas reais das irreais. Então, votar segundo ideologias partidárias seria como acertar na mega-sena. A probabilidade de acerto é ínfima! A verdadeira ‘sopa de letrinhas’ em que se transforma o cenário político partidário a cada eleição só mostra que cada dia mais há distanciamento entre os interesses públicos e os reais interesses dos partidos políticos. Para nós analistas, o fenômeno não é novo e quase não diferencia um partido de outro. A maioria não possui conteúdo programático, só projetos de poder e de manutenção de cargos e salários quase todos submetidos a verdadeiros ‘caciques’, ou, em outras palavras, pequena cúpula dos que se autointitulam donos dos partidos.
Passa da hora de discutirmos, dentro de reforma política séria, proibição para coalizões partidárias. Dessa forma, siglas ‘nanicas’ não se corromperiam como ‘legendas de aluguel’, além de que não venderiam seus tempos na propaganda eleitoral de rádio e televisão. Caros eleitores, a incoerência partidária está claramente demonstrada. Em todo Brasil, as alianças regionais dão vida a grandes emaranhados de letras, quando se unem demostrando que o importante é se manter no poder, custe o que custar.
Obviamente, seria impossível apresentarmos aqui todas as anomalias desses ‘acordos políticos’ que, a propósito, nem os mais sábios e capacitados cientistas políticos conseguiriam decifrar e explicar. Analisando as ‘sopas de letrinhas’, podemos dizer que na nossa política atual há uma polarização entre o PSDB e o PT, já que são sempre adversários tanto na esfera federal quanto nas estaduais. Por outro lado, o PSB, chamado de ‘terceira via’, chega a apoiar tanto os tucanos quanto os petistas dependendo do Estado-membro. Já o PMDB é, podemos dizer, um partido ‘amigo de todos’ — aliás, permanece, sobre este partido, a indagação: qual a sua ideologia? Por fim não poderíamos deixar de destacar brevemente o caso do PRB, que não tem nenhuma candidatura própria em nenhum Estado-membro da Federação, o que leva a refletir e questionar se há necessidade de sua existência. O eleitor fica perdido. Não sabe se vota em pessoas ou nospartidos que ainda detêm os mandatos. Segundo decisões judiciais, mandatos parlamentares pertencem a partidos e não a deputados federais, estaduais e senadores. ‘Alianças partidárias’ servem para demonstrar que ideologias partidárias inexistem na maioria dos partidos brasileiros!
O SISTEMA DE SAÚDE NO BRASIL: A insatisfação do cidadão com o sistema de saúde no Brasil é conhecida. Pesquisa do Datafolha, a pedido do Conselho Federal de Medicina e da Associação Paulista de Medicina, revelou que para 93% dos entrevistados, serviços públicos e privados de saúde no país são péssimos, ruins ou regulares. Também pontuou que em todos os aspectos, os atendimentos do SUS têm imagem insatisfatória junto à população. Os pontos mais críticos estão relacionados a acesso e a tempo de espera para atendimento. Mais da metade dos entrevistados que buscaram acesso no SUS relataram ser difícil, ou muito difícil, conseguir o serviço pretendido. Não adentrando a detalhes técnicos, o grande problema da saúde trata da distribuição desproporcional de competências e capacidades: o centralismo arrecadatório do governo federal, em contraponto à crescente responsabilidade de Estados e municípios. Em síntese, o governo federal fica com o bônus, e os municípios, com o ônus!
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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