“Quem propaga a maledicência atrai o mal sobre si mesmo”.
Textos Judaicos
Quem tem a instintiva tendência de falar mal dos outros geralmente não é suficientemente realizado. Isto já sabemos. Se buscarmos o porquê dessa mania, chegaremos a identificar um complexo de inferioridade aliado a um desejo de superioridade.
É óbvio: quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros. Enfatizar os defeitos alheios, notadamente em época de disputa eleitoral, passa a ser uma arma que sugere dupla função: a necessidade de autoafirmação e a de passar ao eleitor a imagem de que “comigo tudo dará certo, com os outros não”, ou ainda “Vote no melhor, vote em mim, não vote no outro que é um verdadeiro malandro, mentiroso, inepto, que com toda certeza levará nosso país ao caos.”
Tenho acompanhado pela TV e mídia impressa as campanhas dos três principais candidatos à presidência da República. Em média reincidente, o que se lê ou se ouve de cada candidato, no espaço que lhe é reservado, é a abordagem de 30% aproximadamente de seu plano de governo e o restante atacar os rivais.
Para os eleitores incautos, por essas apresentações quem é Dilma? Uma terrorista, uma gerentona brava que não aceita interrupções na sua trajetória, aquela que amplia número de ministérios em troca de favores políticos, a representante maior da arrogância petista, a defensora dos corruptos da Petrobras e do mensalão vermelho, a candidata que se for eleita garantirá a um único partido político ao menos 24 anos de poder centralizado. Não, definitivamente Dilma não é a melhor opção.
Quem é Marina Silva se crermos nas maledicências? Ora, é cria do PT, filhote de Lula, continuidade da arrogância petista, comunista de carteirinha, saúde frágil que sugere não haver resistência física o suficiente para governar um país com dimensões continentais como o Brasil. Sua voz aguda e baixa não fará ecoarem os interesses nacionais num encontro da Brics, muito menos numa assembleia da ONU. O Brasil estará nas mãos de uma mulher de rico currículo de doenças nativas. Dilma agora diz que o plano de governo de Marina é pura mentira. Passa a ser um grande mistério essa sua candidatura, apoiada pelos evangélicos num país de maioria católica. Não, definitivamente Marina não é a melhor opção.
Quem é Aécio Neves? Em primeiro lugar, é aquele que construiu ilegalmente dois aeroportos em terras interioranas mineiras para beneficiar sua própria família. Aquele que não tem luz própria por viver à sombra do avô Tancredo Neves. Aquele que defendeu e ocultou as mazelas de seu partido, a privataria tucana, o mensalão mineiro e que se arvora nas ideias não mais tão contemporâneas de Fernando Henrique Cardoso. Aquele, enfim, que fez ou faz uso de drogas pesadas para consumo próprio. Não, definitivamente Aécio não é a melhor opção.
E cabe a nós, eleitores, diante de tanta maledicência dos próprios candidatos entre si, um acusando o outro, dos aliados contra seus respectivos rivais, tentar descobrir entre uma fala e outra, entre um gesto e perfis do passado, alguma bondade, alguma virtude nesses candidatos. Veja bem: EU NÃO QUERO VOTAR NO MENOS PIOR, eu quero votar no candidato que apresente um perfil de qualidades morais, éticas, de competência administrativa, de sensibilidade social, de comprometimento firme com a melhoria da saúde pública, com a educação, com a segurança, com a economia, com o bem-estar de mais de 200 milhões de brasileiros.
Por que os rivais de Dilma não aceitam que a atual presidente, candidata à reeleição, tem, por marca maior de governança, como um exemplo, a busca das desigualdades sociais, que são tantas no Brasil? Por que os rivais de Marina Silva não lhe reconhecem a ideia de reconstrução do país fundamentada na reforma política e eleitoral, no estancamento das reeleições, no findar dos “Brasis apartados”, polarizados como hoje já são PT e PSDB? Por que os rivais de Aécio não se lembram de itens de seu programa de governo como o desenvolvimento da região Nordeste, ampliação do programa Bolsa Família, repasses de recursos federais para a educação, combate à pobreza etc.?
Porque falta civilidade.
Não seria melhor e mais útil ao eleitor conhecer a fundo os programas de governo de cada candidato em lugar de empanzinar-se com os erros e os vícios dos presidenciáveis? É que este procedimento não faz parte das opções da tradição brasileira.
Everton de Paula, acadêmico e editor email - evertondepaula33@yahoo.com.br
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