Zorras


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Comprovado. O oportunismo da Globo é muito grande. Anunciaram o fim do programa de humor Zorra Total tão logo o horário (obrigatório) de propaganda política começou. Viu-se o quanto diretores da grande emissora são espertos e que, se há concorrência, detestam perder. 
 
Mas, convenhamos, zorra por zorra, muito melhor a dos políticos. Acho, do meu ponto de vista, ligeiramente confusas as mensagens desta programação. Quase nunca os candidatos que aparecem no vídeo falam de si mesmos ou de suas pretensões. Espaço, tempo e declarações, na verdade, são dedicados e perdidos na espinafração dos concorrentes. E vice-versa. Ou para falar mentiras e besteiras. 
 
Daí, por exemplo, vi o ex-presidente Lula declarar — em vídeo — que não, não foi ele quem descobriu o Brasil porque ‘não estava lá mas que, se estivesse, teria sido ele a fazê-lo.’ É mole ou quer mais? Quer? Vai lá. Simples exemplo. A dona de casa d. Dilma — sim, a que fez macarrão para mostrar ‘ser humana’, e não de Vênus ou de Marte — falou para o Brasil inteiro que ‘fomos nós’ quem criamos a Controladoria Geral da União (CGU). 
 
Bem, primeira consideração: se o ato de cozinhar macarrão humaniza o cozinheiro, Madre Teresa de Calcutá está no vinagre: ela se preocupava, cuidava, mostrava empatia, acarinhava o próximo (tudo isso longe das eleições) e sem esperar vantagem em troca. Nunca foi vista cozinhando macarrão. Depois, a Controladoria foi criada em 2 de abril de 2001, por Fernando Henrique Cardoso (que não era santo, mas jamais afirmou que o era), através da medida provisória nº 2.143-31 e se chamava Corregedoria Geral da União. O propósito? O mesmo. Combater, no âmbito do poder Executivo Federal a fraude, a corrupção e promover a defesa e o patrimônio público. Terceira consideração: fico confusa. Quando d. Dilma diz ‘nós’: nós fizemos, nós executamos, nós isso, nós aquilo, a quem ela se refere, precisamente? É um plural majestático, daqueles que sugerem modéstia e significam eu mesmo — tipo nós descobrimos o Brasil, nós acabamos com a miséria, etc — ou esse nós soma ela e o partido dela? Quem sabe ela e o ex-presidente? Confunde-nos (esse nós, esclareço, se refere a mim e minha família inteira.) 
 
Se nunca tive paciência para ver o Zorra Total inteiro, me armarei de coragem para ver o Zorra Político durante algumas semanas: quero encontrar explicações diversas. 
 
Quero entender os motivos pelos quais não houve movimentação, esforço ou estudos do governo por  redução da maioridade penal; porque a reforma tributária nunca saiu do papel; os motivos pelos quais aumentar o valor da Bolsa Família, se isso, no fundo, é pagar mais para quem não trabalha; se a defesa dos condenados do mensalão pelos membros do partido dela é justo ou acinte, do ponto de vista do desrespeito à Suprema Corte de Justiça brasileira; se o financiamento concedido ao porto de Cuba é decente diante de nossas tantas necessidades; quero esclarecimentos honestos e precisos sobre a Petrobrás, e entre tantas outras incógnitas, queria informações para entender a política previdenciária tal qual vem sendo aplicada. 
 
Apanhei dos meus pais; minha família me maltratou por diversas vezes; sofri bullying na escola, a sociedade me puniu por erros cometidos; os filhos me acusam de preferência; os netos absorvem toda a energia disponível, escapei de doenças terríveis e impronunciáveis; sofri de amor; chego todo dia em casa me sentindo sobrevivente do trânsito caótico e da fúria dos motoristas, heróica por estar inteira e íntegra; não pactuei com a decadência da educação; defendo a saúde pública. Sobreviverei à estultice da maioria dos políticos? 
 
 
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
 
 

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