Esse mês de agosto — que ainda vai em meio! — foi até agora, palco de lições variadas. Algumas delas curtas ou profundas; algumas outras doloridas e próximas, ainda outras distantes e surpreendentes. Várias, com estas e outras mais características.
Surpreendente: a presidente Dilma se manifestou anteriormente sobre a saúde de Genoíno quando ele foi preso e o juiz determinou que ele cumpriria a pena na prisão. Na ocasião, a presidente atribuiu a ‘grande preocupação humanitária’ seu interesse pela saúde dele. Ela deve estar feliz agora. Ele está em casa, recebe tratamento digno e decente.
Pena que deixou o sistema carcerário — onde tinha benesses, claro, mas teria sido local ideal para aprender, nem que fosse ‘de ouvir falar’, sobre as condições desumanas de outros presos doentes, sem possibilidade de serem agraciados com privilégios.
Atual: o mês trouxe a notícia de prêmio importante ganho por brasileiro. Artur Ávila Cordeiro de Melo, 35 anos, recebeu na terça-feira, dia 12, na Coréia do Sul, a Medalha Fields. Ele é o primeiro pesquisador brasileiro e da América Latina a receber tal prêmio, dado anualmente pela União Internacional de Matemáticos a apenas quatro pesquisadores do mundo. O destaque foi dado a Ávila por suas ‘profundas contribuições na teoria dos sistemas dinâmicos unidimensionais’, em que estuda o comportamento de sistemas sujeitos a alterações constantes. Eu só conhecia a medalha por causa do vício de fazer palavras cruzadas: de repente aparecia um conjunto de 13 casas e a dica: ‘prêmio internacional equivalente ao Nobel de Matemática’. Batata! Medalha Fields.
O particular objeto de estudo de Artur — comportamento de sistemas de sujeitos a alterações constantes — diria respeito a fazedores e aplicadores das leis brasileiras em geral? Não sei, mas a notícia me fez lamentar — profundamente — o caos em que se encontra, a decadência e o desrespeito pelos rumos da educação brasileira. O prêmio faz pensar que existem talentos perdidos e desperdiçados na população brasileira. Mostra a lacuna profunda entre a possibilidade de melhorias e o evidente baixo índice da qualidade do ensino brasileiro. E confirma que, por estarmos no ranking da educação entre 36 países no penúltimo lugar da lista, que nosso maior mal pode ser diagnosticado como muita, muita falta de educação.
O mês de agosto, que se anuncia pelo ventinho frio e pela secura do ar, traz triste recordações dia após dia. Algumas delas. Não satisfeitos com as milhões de vítimas causadas pela I Grande Guerra Mundial, iniciada em 1º de agosto de 1914, os homens iniciam a 2º Guerra Mundial em agosto de 1939. 6 de agosto de 1945: a bomba Little Boy é lançada sobre Hiroshima. Somente nos 20 primeiros segundos morreram 70 mil pessoas, número que chegaria a 210 mil nas semanas seguintes. O mundo nunca mais foi o mesmo e o fato atesta a extensão da maldade humana. Na Irlanda do Norte, 12 de agosto de 1968, católicos e protestantes começaram a se matar em nome de Deus. 24 de agosto de 1572: Catarina de Médicis ordena o massacre dos huguenotes. Dois presidentes brasileiros perdem a vida neste mês: Juscelino Kubitschek em 22 de agosto de 1976 e Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954.Agosto, 2014. Esta semana o carismático candidato à presidência do Brasil. Eduardo Campos. morreu em acidente aéreo. E, para confirmar minha particular birra com agosto — que ainda está no meio! — minha amiga Noemi Branquinho, mãe da Marina e do Marcelo Bessa, também partiu.
Haja pimenta, pé de coelho, sal grosso, elefantes, ferraduras, espelhos, olhos gregos — amuletos para espantar o azar e energias negativas!
Lúcia Helena Maníglia Brigagão
jornalista, escritora, professora - luciahelena@comerciodafranca.com.br
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