Ontem comemoramos o Dia do Advogado, classe da qual fazemos parte e que muitas vezes é injustiçada e mal entendida pela sociedade no exercício da defesa de direitos alheios. Lógico que, como em todas as categorias profissionais, existem bons e os maus profissionais. O que não se aceita é generalização a toda a categoria dos atos praticados por alguns poucos que deturpam a profissão.
A data não pode somente ser lembrada pelo ‘dia da pendura’, onde se tenta sair de ‘fininho’ para não pagar conta. O mais importante é que sirva para exercício de reflexão do papel do advogado na sociedade que ainda o vê como última esperança contra abusos e os excessos cometidos.
Infelizmente, não se dá o devido valor aos profissionais do direito. Cidadãos valorizam mais as titulações de algumas pessoas que, por vezes somente as utilizam para conseguirem galgar posições e manterem a alta estima de seus ‘egos’.
A comunidade ainda não valoriza a atividade do verdadeiro profissional do direito , aquele que se mantêm em linha de conduta ética e moral sem vislumbrar oportunidades de promoção pessoal. A valoração de nossa categoria é ruim até mesmo perante os estudantes dos cursos jurídicos. A maioria dos alunos nos avaliam pelas marcas de roupas que vestimos e pelos cargos que ocupamos, mas não pelo conhecimento, didática e dedicação ao direito.
A área jurídica no Brasil, como um todo, vive o pior momento da sua história, pois é patente o notável declínio de valores da sociedade na qual estamos inseridos. O descrédito é fato em qualquer conversa. Quase ninguém mais acredita na efetivação da Justiça!
Se não conseguirmos, através da real aplicação da lei, institucionalizar a ética na vida pública e privada, coibindo as constantes apropriações de recursos públicos em proveito privado de velhas ou novas oligarquias, buscando fortalecer os mecanismos de transparência e responsabilização das autoridades com a finalidade de prevenir e punir crimes contra o Estado e aos cidadãos de uma forma geral, será muito difícil continuarmos vivendo em sociedade.
Na atual conjuntura onde a regra principal é ‘levar vantagem em tudo’, muitos cidadãos não analisam os seus atos cotidianos. O mesmo cidadão que manifesta sua indignação contra quem usa o cargo público para obter vantagens, por vezes, também não hesita em recorrer ao amigo ou parente que trabalha em qualquer área pública para ter algum privilégio! Que seja um simples ‘furar de fila’, o fato é que em ambos os casos, regras informais e formais foram quebradas. Entre ‘furar fila’ e roubar dinheiro do erário público, a diferença é de grau, mas não de natureza das ações praticadas.
Enfim, nesta data comemorativa, gostaríamos de ressaltar que um verdadeiro operador do direito não consegue se calar e aceitar as iniquidades que diariamente ocorrem na vida em sociedade. Ontem, como hoje, o que estará sempre em pauta é a defesa da liberdade e da cidadania. Parabéns, advogados!
SABATINAS ELEITORAIS: O GCN inicia hoje suas Sabatinas com candidatos que disputarão as próximas eleições. O formato contribui para a melhoria da informação durante o processo eleitoral. O horário eleitoral gratuito perdeu função de esclarecimento. Em nossa humilde opinião, tornou-se só propaganda e marketing político de custo elevadíssimo. Em sabatinas há espaço para a discussão das reais questões da vida em sociedade. Espera-se candidatos que não fujam das arguições através de respostas diretas que demonstrem como efetivamente, atuará se eleito for. É o verdadeiro caminho para que, como eleitores, possamos escolher e colocar a política nas mãos de pessoas que querem contribuir na busca de soluções almejadas pelos cidadãos.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br
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